3 editores premiados nos Óscares distinguem uma boa de uma má montagem


A poucos dias da 87ª gala dos Óscares, com transmissão no próximo domingo (em 4:3) na SIC e (em 16:9) na SIC Caras, quase todos especulam sobre os grandes vencedores e os grandes vencidos. As categorias principais são sempre as mais discutidas e quem gosta, normalmente, veste a camisola. Chega até a existir uma espécie de fanatismo clubístico.

No entanto, existem outras categorias com menor reconhecimento que são parte do sucesso de um filme. A montagem, por exemplo, é extremamente importante tanto na construção, como por consequência, no resultado final de um filme. É a espinha dorsal que guia o compasso do olhar do espectador. O corte e cola que dita o ritmo a que o espectador pensa/sente cada plano.

“Quer o filme seja mudo, ou sonoro, a montagem continua a ser o atributo mais cinematográfico. Quando se fala de montagem, não se fala de quantidade de cortes, mas do pensamento, do pensamento cinematográfico. A construção de um filme prolonga-se até ao último momento… ”, defende Manoel de Oliveira, um dos mais conceituados realizadores portugueses,  no livro Conversas com Manoel de Oliveira de Antoine de Baecque e Jacques Parsi.

Porém, o que torna a montagem de um filme digna de um Óscar? Melhor ainda, o que distingue uma boa montagem de uma má montagem?

A revista norte americana Variety reuniu num vídeo os depoimentos de 3 editores responsáveis pela montagem de alguns dos filmes nomeados para os Óscares este ano e já galardoados anteriormente pela Academia.

Para William Goldenberg, o editor do filme The Imitation Game, há questões que não se devem levantar: “quando estás a ser levado numa viagem e te surgem perguntas como: porque estou a ver isto? O que é isto? O que é que esta cena quer dizer? Se surgem estas perguntas, provavelmente, a montagem não é boa”.

Ou, como diz Joel Cox, um dos responsáveis pela montagem do filme American Sniper, a melhor montagem é aquela que não se vê. “É certo que, há momentos em que a edição chama a atenção para si mesma para acentuar um momento, uma atmosfera, um tom ou emoção, mas, na sua generalidade, a edição é suposto passar despercebida ao serviço da história”, referiu à Variety.

De todos os nomeados para a categoria de Melhor Montagem (American Sniper, Boyhood, The Grand Budapest Hotel, The Imitation Game e Whiplash) o que mais sobressai é o trabalho de Tom Cross em Whiplash. Curiosamente, um dos que nunca foi premiado e que enfrentará uma luta feroz nesta categoria. Haverá melhor exemplo que o compasso da bateria de Andrew, a personagem interpretada por Miles Teller, ao ditar o corte, o tempo, com que seguimos o ritmo da imagem? Ou até mesmo as inesperadas ordens do professor de música, que é brilhantemente interpretado por J.K. Simmons? Neste caso, a montagem une o ritmo do som ao ritmo da imagem e intensifica assim a narrativa.

Mas, afinal, será que uma boa montagem tem, necessariamente, que intensificar a história? Ou é aquela que pouco interfere na acção e é, por isso, natural? Como todas as categorias em disputa na noite de Domingo, esta será sempre uma questão algo subjectiva. E até nesta, se fizeres questão disso, poderás vestir a camisola.