A magia no interior de uma DSLR


A 10 mil frames por segundo descobrimos um mundo inacreditável que acontece cada vez que disparas uma DSLR.

DSLR significa Digital Single Lens Reflex. Basicamente estas câmaras usam dois espelhos para reflectir a imagem captada pela lente no visor. Quando disparamos o obturador, o espelho inferior é recolhido (e, por isso, deixamos de ver a imagem momentaneamente) e é então que a magia acontece.

Existem dois tipos de obturadores (mecânicos): os de cortina e os de diafragma, sendo que as DSLRs usam os de cortina. Assim que carregamos no botão de disparo, o espelho é recolhido, o obturador de cortina é solto – com um intervalo que coloca o sensor da câmara exposto à luz durante o tempo desejado –, e a fotografia está feita. Todo este processo chega a acontecer em apenas 1/8000 segundos.

Gavin Free e Daniel Gruchy – mais conhecidos como The Slow Mo Guys – pegaram na Phantom Flex (uma maquina de filmar em super slow motion) e decidiram gravar uma DSLR a tirar fotografias, com várias velocidades de obturação, a 10 mil frames por segundo. Uma velocidade de captação tão elevada que nos permite perceber bem todo o processo mecânico associado a um simples disparo.

Gavin Free expõe ainda um fenómeno bastante comum que ocorre quando filmamos objectos verticais em movimento. Como o obturador das DSLRs é de cortina, a fotografia é “gravada” no sensor em camadas de baixo para cima. Sim de baixo para cima, isto porque a imagem é gravada no sensor invertida. Isto implica que a parte de cima da imagem seja mais recente que a parte de baixo. Conseguimos verificar experimentalmente este fenómeno ao filmar postes de eletricidade quando vamos num carro: os postes aparecem sempre inclinados nas filmagens.

Em câmaras que usam obturadores de diafragma, como a Phantom Flex, isto não acontece porque a imagem é “gravada” por completo, ao mesmo tempo, no sensor da câmara.