Afinal as estrelas são mais novas do que julgávamos


O início de tudo, se assim lhe quisermos chamar, o famoso Big Bang ocorreu há 13 800 milhões de anos atrás. O início do nosso universo continua a ser um dos assuntos mais debatidos e estudados e novos dados fornecidos pelo telescópio espacial europeu Planck, revelados recentemente, vieram clarificar um dos pontos mais importantes dos primórdios do nosso Universo: o nascimento das estrelas.

Até agora, as observações realizadas estimavam que as estrelas teriam surgido 450 milhões de anos após o Big Bang, mas os dados do telescópio sugerem que estas ter-se-ão formado 100 milhões de anos mais tarde. De facto, apesar da missão de quatro anos do Planck ter terminado em 2013, os cientistas ainda se debruçam sobre a imensidão de informações recolhidas sobre a radiação cósmica de fundo, informações que lhes permitiram chegar a esta descoberta.

A radiação cósmica de fundo, descoberta em 1965 por Penzias e Wilson (o que lhes valeu inclusivamente o prémio Nobel da Física em 1978), é uma das maiores evidências a favor da teoria do Big Bang, sendo muitas vezes referida como a radiação fóssil do Big Bang. Após o Big Bang, o Universo era efectivamente opaco, uma densa sopa de partículas altamente energética que impedia a livre progressão dos fotões (ou seja, a luz). Foi preciso esperar 380 mil anos para que diminuísse a densidade do Universo e para que os fotões, assim, conseguissem viajar livremente. E é precisamente a energia desses tempos primordiais que é captada hoje como radiação de fundo, na frequência energética das micro-ondas.

Após isto, nas zonas mais quentes do Universo, a matéria começou a agregar-se e nesses locais surgiram então as primeiras estrelas. A luz produzida por elas, ajudou a dissipar a matéria densa e contribuiu para o fim da era do Universo Opaco.

É exactamente pela influência que a luz das estrelas teve sobre a radiação cósmica de fundo, a sua assinatura, que os cientistas chegaram a esta nova data. Quando as primeiras estrelas começaram a brilhar, a radiação que emitiam interagiu com os átomos de hidrogénio, formados quando o Universo tinha 380 mil anos, e causou a separação do protão e do electrão que cada um desses átomos tem, causando a assinatura visível sobre a radiação cósmica de fundo.

“Após a libertação da radiação cósmica de fundo, o Universo era ainda muito diferente daquele onde hoje vivemos e demorou muito tempo até se poderem formar as primeiras estrelas”, adianta Marco Bersanelli, astrofísico da Università degli Studi di Milano, num comunicado. “As observações da polarização da radiação cósmica de fundo pelo Planck dizem-nos agora que a Era das Trevas terminou uns 550 milhões de anos depois do Big Bang – mais de 100 milhões de anos do que antes se pensava. Ainda que estes 100 milhões de anos possam parecer negligenciáveis em comparação com os quase 14.000 milhões de anos de idade do Universo, eles fazem diferença no que diz respeito à formação das primeiras estrelas.”

Além de corrigir a data do nascimento das estrelas, os dados do telescópio Planck também vieram apoiar resultados prévios relativamente a outros tópicos, nomeadamente a matéria negra e a sua quantidade no Universo.

“Ainda há poucas descobertas decorrentes do escrutínio das observações realizadas pelo Planck sobre a polarização da radiação cósmica de fundo que está a revelar o Universo de uma maneira totalmente nova”, explicou um dos cientistas do projecto, Jan Tauber. “Há um série de informações incrivelmente rica e as descobertas só se iniciaram agora.”

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