Afinal, quantos somos online?


Estará o mundo assim tão conectado pela net como parece estar? As estatísticas actuais, combatendo o senso comum e a ideia geral dos ocidentais, negam essa ideia de uma ligação global. Estas afirmações foram confirmadas por um novo estudo do Internet.org, a iniciativa liderada por Mark Zuckerberg que pretende levar a Internet a todos os cantos do globo. No entanto, actualmente, quem é que está conectada? Quem não está e porquê? O estudo responde e também responderá o criador do Facebook a 2 de Março em Barcelona, no Mobile World Congress.

State of Connectivity: A Report on Global Internet Access, o nome do estudo, revelou o dado mais flagrante que sustenta a importância desta temática que Zuckerberg tem trazido à tona: apenas 37,9% da população global tem acesso à Internet pelo menos uma vez por ano. O estudo refere que, em 2015, vamos ser três mil milhões de pessoas online. Apesar de o nome poder trazer admiração, não passa de 40% da população mundial que, assim, esteve alguma vez em contacto com a Internet.

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Se analisarmos de onde estes 40% surgem, é possível verificar uma grande diferença. De toda a população online, 78% é dos chamados países desenvolvidos. Apenas 32% é das economias emergentes ou dos chamados países em vias de desenvolvimento. Há, portanto, espaço para se crescer. No entanto, a taxa de crescimento da adopção da internet tem vindo a tomar uma curva negativa, tendo descido pelo quarto ano consecutivo. Em 2014 a taxa de crescimento foi de 6,6%, mas em 2010 a taxa estava nos 14,7%. Com este ritmo, só em 2019 é que poderemos dizer que somos quatro biliões a teclar na Internet.

O estudo encomendado por Mark Zuckerberg sugere que existem três grandes barreiras para que a taxa de crescimento não esteja exponencialmente a crescer: Infraestruturas, Acessibilidade (Monetária) e Relevância. Comecemos pelo alcance das tecnologias 2G e 3G: nem todos os seres humanos do planeta Terra têm acesso ao 2G. Estão lá perto – 91,7% – mas o número desce radicalmente quando falamos de 3G: 48,7%. O sinal de Internet no telemóvel ainda é precário pelo que a organização de Zuckerberg terá de actuar neste parâmetro.

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Quando falamos de acessibilidade monetária, o cenário não melhora: 79,6% têm capital para terem 100 MB por mês, mas o número desce para 54,9% quando se fala em números maiores, nomeadamente 250 MB. Uma vez que, actualmente, a maior parte dos utilizadores portugueses acedem a pacotes de Internet com muita mais capacidade tarifária, a comparação para com outros internacionais não se pode fazer neste contexto.

Por fim, a relevância. Nem tudo o que está na Internet é bom, nem tudo é mau. É preciso saber distinguir os vários conteúdos que nos aparecem no ecrã. No entanto, o estudo do Internet.org refere um aspecto ele próprio relevante: há utilizadores de Internet que ou não conseguem ter acesso a conteúdos online (por imposição de governos, por exemplo) ou não os tem traduzido numa língua que perceba. Quanto a esta última característica,  o estudo refere que para 80% do conteúdo ser relevante teria de ser traduzido em 92 línguas, no mínimo.