BAFTA 2015: as escolhas da academia britânica


Boyhood foi o grande vencedor e Birdman foi o grande derrotado da noite dos BAFTA, os prémios atribuídos anualmente pela British Academy of Film and Television Arts. O actor britânico Stephen Fry foi o anfitrião de uma noite que é vista como uma importante antecâmara para os Óscares da Academia de Hollywood, com cerimónia marcada para o próximo fim-de-semana, no dia 22, e com transmissão na SIC.

O tão aclamado filme de Richard Linklater, Boyhood, marca indiscutivelmente a história do cinema por acompanhar a história de uma família ao longo de 12 anos. A consagração do filme tem sido reconhecida em quase todos os festivais por onde tem passado. Os BAFTA não foram excepção, e para além de receber o prémio para melhor filmeRichard Linklater ganhou ainda o prémio de melhor realizador e a actriz Patricia Arquette foi para casa com a distinção de melhor actriz secundária.

A noite ficou também marcada pela grande derrota de Birdman, de Alejandro González Iñárritu. Das dez nomeações para os BAFTA, recebeu apenas um prémio, o de melhor fotografia, para Emmanuel Lubezki. A realidade contraria assim uma das previsões para os Óscares, onde Birdman é tido como um dos grandes favoritos, com nove nomeações.

Na cerimónia realizada no Royal Opera House, em Londres, o filme The Grand Budapest Hotel, de Wes Anderson, era o grande líder de nomeações da edição deste ano com onze nomeações. Acabou por arrecadar apenas cinco prémios, entre os quais o de melhor argumento original, banda sonora e ainda quatro categorias técnicas: melhor música, melhor caracterização, melhor figurino e melhor direcção de arte.

Outra grande desilusão foi The Imitation Game, um filme sobre a vida do génio matemático Alan Turing, interpretado por Benedict Cumberbatch. A obra do realizador Morten Tyldum , inspirada no livro de Andrew Hodges, era um das principais favoritas da noite, com nove nomeações no total, e deixou a sala de mãos vazias.

O filme The Theory of Everything, a história de amor que uniu Stephen Hawking e Jane Hawking, sensibilizou o júri britânico e ganhou três BAFTA, o de melhor filme britânico, melhor argumento adaptado e melhor actor, com a extraordinária interpretação de Eddie Redmayne. O próprio Stephen Hawking, de 73 anos, esteve presente na gala fazendo-se acompanhar pela sua antiga mulher, Jane Hawking, e recebeu uma ovação de pé quando subiu ao palco para entregar o BAFTA de melhores efeitos especiais a Interstellar, de Christopher Nolan.

Julianne Moore recebeu o prémio de melhor actriz principal pela interpretação de Alice Howland, em Still Alice. O filme, baseado no livro homónimo de Lisa Genova, retrata a luta de Alice contra a doença de Alzheimer para manter a ligação à pessoa que sempre foi. Uma história assustadora, comovente e inspiradora.

Whiplash é um filme que nos fala dos medos e das opções com as quais os prodígios têm de lutar forçosamente para serem os melhores entre os melhores, através da relação tirânica entre um professor de bateria e o seu aluno. Recebeu o BAFTA de melhor montagem, melhor som e J.K. Simmons, o professor de bateria, recebeu o BAFTA de melhor actor secundário.

O filme polaco Ida, de Pawel Pawlowsky, que soma mais de 50 prémios internacionais e está nomeado para os Óscares para melhor filme de língua estrangeira e melhor cinematografia, recebeu o BAFTA de melhor filme em língua não inglesa. Ida foi o recente vencedor do prémio Lux da Academia Europeia de Cinema.

Em documentário, o prémio foi para Citizenfour, da norte-americana Laura Poitras. O filme, que também corre por um Óscar, investiga a história do ex-consultor da NSA Edward Snowden e a forma como revelou os programas de vigilância do governo dos Estados Unidos.

O BAFTA de melhor filme de animação foi para The LEGO Movie. O filme que estava em desenvolvimento pela Warner Bros desde 2008 quase que falhou as nomeações para os Óscares mas conseguiu brincar com a situação e tem arrecadado inúmeros prémios ao longo deste ano.

Numa noite de muitas homenagens, a principal ovação foi para o realizador britânico Mike Leigh, que recebeu um BAFTA de carreira no ano em que regressou com o filme Mr. Turner, o seu filme biográfico sobre o génio da pintura britânica William Turner.