Criada molécula de insulina “inteligente”


Uma equipa de investigadores do MIT desenhou uma molécula de insulina capaz de actuar de acordo com os níveis de glicose presentes no sangue. Num estudo publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences, mostrou-se que esta molécula de insulina respondia aos níveis de glicose no sangue e era capaz de os regular de forma mais eficaz, em modelos animais.

É a primeira vez que se consegue mostrar que uma versão melhorada e “inteligente” de insulina consegue actuar em seres vivos. Se os resultados conseguirem ser replicados em humanos, as vantagens ao nível da qualidade de vida serão enormes, reduzindo o número de injecções diárias e as complicações que podem advir desta terapêutica, nos milhões de diabéticos que dependem dela.

A diabetes é uma doença que se traduz pela diminuição dos níveis de insulina no organismo ou pelo aumento da resistência à acção desta molécula, fundamental para permitir a entrada da glicose dentro da maior parte das células dos nosso organismo, para ser utilizada como energia. Assim os indivíduos que não produzem insulina (a chamada diabetes tipo I) e aqueles nos quais a acção desta está dificultada (a chamada diabetes tipo II) necessitam de insulina para regular os níveis de açúcar no sangue. Contudo esta não é uma terapêutica sem riscos já que é necessário um controlo rígido dos níveis de glicémia, para se administrar insulina. Demasiada insulina ou pouca insulina levam a complicações graves, hipoglicémia e hiperglicémia, respectivamente.

Neste sentido, uma molécula de insulina capaz de pressentir os níveis de glicose no sangue seria ideal pois diminuiria as necessidades contantes de avaliação da glicémia e preveniria as complicações já referidas.

“A insulina é uma terapêutica muito importante para os diabéticos, mas também imprevisível e perigosa de certa forma”, revela Daniel Anderson, um dos co-autores do estudo. Assim, criar uma insulina inteligente que só actuasse quando fosse efectivamente necessário (ou seja quando houvesse aumento de glicose em circulação) seria o ideal. “Ficaríamos mais próximos de ter insulina que se comporte da forma que é suposta no organismo com um pâncreas normal e saudável.”

Esta nova molécula produzida em laboratório foi concretizada graças à adição de um ácido na cadeia molecular da insulina. Apesar da equipa não perceber ainda detalhadamente como funciona este novo composto, o facto é que tem a capacidade de se ligar à glicose circulante e, assim, actuar preferencialmente na presença de concentrações mais elevadas de glicose. Desta feita, diminui-se a possibilidade de hipoglicémias, que em casos graves podem ter consequências sombrias.

O estudo mostrou ainda diferenças entusiasmantes entre esta nova molécula e as insulinas convencionais utilizadas, a “regular” e as de longa acção. A insulina produzida laboratorialmente mostrou ser superior na estabilização dos níveis de glicémia após uma refeição de açúcar dada aos ratinhos.

Os resultados podem ser animadores, mas, para já, ainda não passam de uma possibilidade estudada em ratinhos. Será necessário mais trabalho para aperfeiçoar a molécula antes de esta poder ser considerada em ensaios com modelos humanos.

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