Ir sem saber para onde vamos é o próximo destino turístico de luxo


A Brown + Hudson não é uma agência de viagens qualquer. Sediada em Londres, a empresa dedica-se em exclusivo a proporcionar aos seus clientes aquilo que apelida de “uma experiência de viagem única e pessoal”. O objetivo aqui, dizem, é redefinir o conceito de viagem ao tentar transformá-lo numa experiência pessoalmente enriquecedora, como que se de uma estória se tratasse, estando perfeitamente enquadrada com a narrativa geral da vida de cada um. Para atingir este ambicioso fim, a extravagante planeadora de viagens lançou um novo pacote, com um conceito no mínimo inovador – viagens sem saber o destino. Como? Ao não dizer ao cliente para onde ele vai. Parece descabido, mas eis a explicação.

O novo pacote de viagens da Brown + Hudson dá ao cliente a possibilidade de planear a sua viagem de sonho com uma particularidade peculiar – este não sabe para onde vai até ao momento do embarque. Em linha com a visão da empresa, a ideia aqui passa por pôr toda a ênfase nas experiências vividas durante a viagem, deixando para segundo plano o destino propriamente dito. Ao cliente, basta-lhe especificar que tipo de experiência está à procura aquando do planeamento da viagem com os profissionais da agência, e esta fica encarregue de tratar de todos os arranjos no local, desde reservas de estadia e transportes até ao chegar a contactos que possibilitem aquilo que o cliente quer.

No novo pacote denominado “Nowhere is a Place”, a Brown + Hudson oferece praticamente este mundo e o outro no que às possibilidades de viagem diz respeito. “Se o consegue imaginar, nós conseguimos fazê-lo acontecer”, garantem. Desde visitar uma famosa coleção de arte juntamente com o seu criador, ter um agradável serão com o seu político ou escritor favorito, acompanhar um fotógrafo de renome numa expedição pela vida selvagem ou explorar um vale desconhecido numa bicicleta de montanha até ir visitar um monge que há décadas não sai do seu mosteiro ou dançar nu em qualquer um dos polos do nosso planeta, aqui nem o céu é o limite.

Há que sublinhar, contudo, que a mítica terra de lado nenhum não está disponível para qualquer carteira. Só o planeamento da viagem fica em algo como 1300 euros, sendo que o custo mínimo (atenção, mínimo) da viagem em si ascende aos 26 mil euros por pessoa. Mr. Brown, dono e fundador da agência, refere que o preço é apropriado para o trabalho desenvolvido pela Brown + Hudson, dado que toda a viagem é coreografada na perfeição como se de um filme se tratasse, o que requer bastante tempo, dinheiro e imaginação. E ainda que estejamos em plena crise económica e financeira um pouco por todo o mundo, existe um mercado específico para este tipo de oferta. Eis a prova provada de que, como refere Mr. Brown,  “For the children of the top 1 percent, nothing is out of the question”.

Para os restantes, comuns e meros mortais, resta-nos adormecer e continuar a sonhar.