Memex: o “Google” do lado negro da web


O Departamento da Defesa dos EUA está a preparar uma nova ferramenta que vai permitir localizar mais facilmente os elementos do lado negro da web. A DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency) é a responsável pelo projecto e deu um exclusivo ao programa 60 Minutes Overtime do canal norte-americano CBS.

O 60 Minutes da CBS mostrou uma demo daquilo que é o Memex. Esta ferramenta de pesquisa consegue desmontar as redes com grandes quantidades de dados e, assim, fazer conexões que trazem ao de cima os elementos mais obscuros da deep web. O Memex não só põe a nu as sombras da internet, como regista a actividade destes utilizadores ilegais. A repórter Lesley Stahl e o produtor Shachar Bar-On da CBS tiveram, em exclusivo, a oportunidade de ver pela primeira vez a invenção de Chris White.

E houve algo que os chocou: a quantidade de dados que actualmente existem na imensidão que é isto a que se chama internet. “A internet é muito maior do que o que as pessoas pensam”, explicou White à jornalista, acrescentando que os actuais motores de busca como a Google, o Yahoo ou o Bing “só nos dão acesso a 5% do total da internet”. Entre os 95% estão páginas de web temporárias e o lado negro da internet onde os negócios obscuros são feitos, especialmente relacionados com mercados de armas, drogas e sexo.

O Memex pode ajudar a polícia norte-americana a encontrar mais facilmente os criminosos em questão. Segundo o seu criador, Chris White, a ferramenta é capaz de fazer ligações entre vários websites, mails, moradas, números de telemóvel ou outros dados. Na prática, o Memex vai poupar tempo e recursos às autoridades. White ressalva ainda que a ferramenta é de fácil uso para quem não sabe programar: é rápida, tem uma interface simples e um alcance maior do que os motores de busca normais. O Memex vai mostrar, por exemplo, como é que o mapa do tráfico do sexo funciona. O criador do Memex acredita que a ferramenta possa também ser utilizada contra o terrorismo, para encontrar pessoas desaparecidas ou em situações de catástrofe ou doença. 

O Memex já está a ser usado, garante Chris White, mas avisa: a mão humana continua a ser necessária, pois o serviço nem sempre é tão rigoroso na análise dos anúncios que estão na internet. A Wired estima que o projecto esteja a custar ao estado norte-americano entre 10 a 20 milhões de dólares. Agora é esperar para ver os resultados desta luz no escuro da web.

O nome “Memex” vem de um computador analógico pensado por Vannevar Bush, o director do US Office of Scientific Research and Development durante a Segunda Guerra Mundial, que seria um suplemento à memória humana: guardava-a e cruzava-a com outras informações de outros utilizadores.

Os websites do lado negro da web terminem em .onion e só são acessíveis se o utilizador tiver acesso a um endereço específico através do TOR, um browser especificamente desenhado para o anonimato online.