Onde está a sonda File? E quando vai acordar?


Só em Maio é que a sonda File vai voltar a dar sinais de “vida”. Quem o revelou foi a Agência Espacial Europeia (ESA), em explicação a algumas dúvidas sobre o futuro da sonda que, neste momento, habita o cometa 67P. Na mais recente entrada do blogue oficial, “Where is Philae? When will it wake up?”, a ESA partilhou com o público todos os detalhes sobre a File, uma vez que a curiosidade já estalava nas redes sociais da agência.

Depois de a nave europeia Rosetta ter chegado à presença do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, a File foi deixada na superfície do objecto espacial a 12 de Novembro do ano passado e ficou em hibernação – isto só aconteceu “depois de quatro contactos com a superfície, incluindo a chegada final”, supondo que algo correu mal nas primeiras vezes na utilização dos arpões, segundo o Discovery. Apesar de tudo indicar que a sonda tenha sobrevivido, os cientistas europeus ainda não podem dizer com certeza absoluta se a File resistiu ao seu novo habitat, nem muito menos podem precisar a sua localização actual.

Porém, a localização da sonda pode ter sido dada pela tecnologia OSIRIS – utilizada no final de Novembro e em Dezembro pela ESA –, que revelou que esta está numa zona com luz reduzida e numa região com relevo acidentado. As condições de visionamento não foram, contudo, as melhores: tanto a posição do sol como a do cometa e da nave Rosetta não sincronizaram de forma a dar uma visão realista da localização da File. De referir ainda que, tal como avisa a ESA, a localização actual da nave europeia já não é a ideal para localizar visualmente a sonda na superfície do cometa.

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No dia 14 de Fevereiro há no entanto uma nova esperança: a Rosetta vai estar a 6 km da superfície do cometa e o sol estará sincronizado de tal forma que as sombras ficarão de fora deste novo registo fotográfico. A resolução das fotografias será a melhor possível até agora, explica a ESA, confiante de que este dia vai marcar a investigação feita até agora. A trajectória da nave europeia não foi mudada, uma vez que já estaria planeada há meses, mas dá uma nova oportunidade aos cientistas. Ao adaptar a observação exterior da nave para este novo objectivo, a ESA não compromete a missão da Rosetta e pode ver resolvida a questão da sonda File.

Caso o dia não seja de sucesso, uma nova oportunidade destas só chegará em 2016. No entanto, a sonda pode “ressuscitar” em breve, não sendo por isso necessária a localização exacta da File. Caso tivesse aterrado no local planeado, a mini-sonda estaria agora a receber 6,5 horas de iluminação em 12,4 horas de dia do cometa, explica a agência no post, com uma temperatura que, em Março deste ano, atingiria valores que deixariam a File inactiva. No entanto, a nova localização só permite 1,3 horas de iluminação pelo que o destino final poderá ser completamente diferente.

Assumindo que a mini-sonda sobreviveu às temperaturas baixas, a ESA afirma que no final de Março a File poderá receber a luz suficiente para ter energia para voltar à vida. Apesar disso, para que esteja capaz de usar o transmissor, teremos de esperar até Maio ou Junho para ter novidades. Em causa estão os 17 watts necessários para a File dar sinais de vida, explica a agência.

Caso a File não acorde, a ESA mostra-se optimista pelo que já conquistou: “mesmo que a File não acorde, é importante lembrar que já completou a sua primeira sequência de investigação sobre o cometa, fornecendo informações de várias localizações do 67P / CG inesperadamente”. A 15 de Novembro do ano passado, a Agência Espacial Europeia deu por completa a missão principal da mini-sonda.

O cometa 67P tem surpreendido a comunidade científica, contando com mais de 4 km de comprimento. Este cometa, apesar do comprimento, é leve… tão leve que flutuaria nos nossos oceanos. Mark McCaughrean, da ESA, um dos envolvidos na secção para a Ciência e Exploração Robótica, esteve na passada quinta-feira em Portugal, no Pavilhão do Conhecimento, onde deu um conferência sobre a sonda Rosetta.