Porque está a Google a criar pele humana?


Já te tínhamos dado conta de que a Google está a trabalhar no diagnóstico de cancro. A solução apresentada pela equipa de cientistas do laboratório Google X consiste em usar nanopartículas magnéticas, capazes de “perseguir” as células cancerígenas na corrente sanguínea e de se ligar a elas.

Depois, utilizando uma pulseira magnética, as nanopartículas são recolhidas e aquilo que detectaram é analisado para saber se a pessoa está ou não doente.

Eis um esquema das nanopartículas a circularem no sangue de uma mão e da pulseira magnética (rectângulo branco):

googlex_deteccaocancro

Quando a Google X apresentou a ideia pela primeira vez, não tinha ainda chegado à formula final: ou seja, era necessário um processo que permitisse a comunicação entre a pulseira magnética e as nanopartículas. Contudo, há poucos dias, num vídeo divulgado pelo The Atlantic, ficámos a saber que os cientistas já têm uma solução: a comunicação vai ser feita através de ondas electromagnéticas, isto é, de luz. Estas ondas entram directamente nas veias superficiais do pulso da pessoa, onde se encontrará a tal pulseira magnética.

Para descobrir como é que a luz passa através da pele humana, os investigadores criaram modelos de braços com pele sintética, usando os mesmos componentes bioquímicos das peles reais (de dadores) e com a mesma auto fluorescência. Há diversos tipos de pele, com diferentes tonalidades; daí que seja necessário estudar bem os efeitos e as possibilidades da passagem de luz nos vários casos. Ao conseguir medir a reação da pele à luz, será possível desenvolver um equipamento que detecte as nanopartículas “iluminadas”, permitindo, no final do dia, um diagnóstico de cancro muito mais atempado e eficaz.

Segundo a Google, apesar dos progressos, ainda há um grande caminho a percorrer, mas os investigadores esperam que seja apenas de anos e não de décadas.

O laboratório Google X foi criado em 2010 e já conta com mais de 100 médicos e cientistas a trabalharem nas instalações especialmente criadas para este tipo de investigação. Andrew Conrad, o responsável pela Google Life Sciences (que integra o Google X), explicou ao The Atlantic que a Google X está a tentar que a “medicina deixe de ser episódica e reactiva para passar a ser proactiva e preventiva”.