“Que vida é esta?”: bloggers de moda noruegueses foram conhecer fábricas têxteis do Camboja


Uma coisa é ler notícias sobre as condições de trabalho nas fábricas têxteis de países menos desenvolvidos, outra completamente diferente é viver essa realidade. O realizador norueguês Joakim Kleven, de 22 anos, levou três bloggers de moda do seu país – Anniken Jorgensen, Frida Ottensen e Ludvig Lambro – ao Camboja para conhecerem como funciona o fabrico de roupas no país do sudoeste asiático.

O resultado é uma série documental de 5 episódios intitulada Sweatshop, que foi publicada em Novembro do ano passado no site do jornal norueguês Aftenposten, e que está agora a ganhar notoriedade na imprensa internacional e nas redes sociais.

Este é o trailer:

Na série, os três bloggers têm um contacto muito próximo com a rotina diária das funcionárias de uma determinada fábrica no Camboja. Uma rotina difícil, desconfortável, triste e de muito esforço. Uma rotina que tem um objectivo muito primitivo: o da sobrevivência.

Sotky, uma das funcionárias, tem apenas 25 anos e ganha 130 dólares por mês; gasta 50 com suas despesas básicas, como o aluguer da casa, luz e água. Trabalha 7 dias por semana, 12 horas por dia. Ao visitar uma loja em Phnon Penh – capital do Camboja – Sotky vê que as roupas à venda são demasiado caras. “As minhas roupas nunca custam mais de 2 dólares. Só compro roupas uma ou três vezes por ano”, confessa. Em contraste, no primeiro episódio, os bloggers exibem os seus guardas-roupa; uma delas, Anniken, revela que gastava no mínimo 600 dólares por mês em roupas.

Durante um mês, os jovens noruegueses trabalharam na fábrica em que Sotky trabalha e dormiram no chão de sua casa – “A nossa casa-de-banho é maior que toda a casa dela”, disse Anniken. Com os 3 dólares que cada um recebeu no final (isto é, com um total de 9 dólares), os bloggers organizaram um jantar para 10 pessoas para perceber como é gerir um pequeníssimo e paupérrimo orçamento.

Mais tarde e com a ajuda de um activista local (que defende que o rendimento mínimo de trabalho deve ser 160 dólares), tiveram oportunidade de conversar com algumas pessoas, todas elas com histórias idênticas à da cambojana de 25 anos. “Que tipo de trabalho é este? Ninguém deveria ficar tanto tempo a fazer a mesma coisa”, questionou Anniken depois de ouvir a história de uma mulher que há 14 anos cose a mesma camisola.

“Que vida é esta?”, interrogou-se depois de saber que a mãe de uma outra mulher, de apenas 19 anos, morreu por não ter dinheiro para comer.

Cada episódio tem cerca de 10 minutos e é legendado em inglês. Podes vê-los aqui: