‘The Imitation Game’


Não é preciso um Sherlock Holmes para perceber que Benedict Cumberbatch já é um dos grandes actores da década. The Imitation Game, obra-mestra do cinema histórico-ficcional, cimenta o seu caminho para o estrelato, valendo ao protagonista uma justíssima nomeação nos Óscares deste ano, naquele que é, a nosso ver, o papel da sua carreira até agora.

É injusto falar apenas e só de Cumberbatch quando nos referimos a Imitation Game, mas a verdade é que tanto Keira Knightley como Rory Kinnear saem de cena completamente ofuscados pela sublime prestação do britânico. Tal como Day-Lewis, Cumberbatch parece espalhar o efeito eucalipto pelos seus companheiros quando assume o papel principal, secando tudo o que se encontra à sua volta. Mas chega de elogios ao rapaz, até porque não quero passar por “cumberbitch”.

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O filme, construído com base na obra Alan Turing: The Enigma, é terrivelmente interessante. E merece, sem qualquer dúvida, ser oscarizado com o galardão de Melhor Argumento Adaptado. Primeiro, porque é genuíno a narrar a história de um jovem homossexual que foge ao conservadorismo e tacanhez dos costumes ingleses e, em seguida, porque ilustra, sem espinhas, como é que esse mesmo jovem, Alan Turing, viria a mudar a história da sua Nação.

“The Imitation Game” tem tanto de crítico como de documental e é precisamente aí que reside a sua beleza. Morten Tyldum soube definir exactamente quais os momentos da vida de Turning que mereciam ser retratados, e fê-lo sempre jogando com a dupla identidade do criptógrafo inglês. Não houve elogio ao povo inglês que não fosse contraposto por uma dura crítica ao modo como o génio matemático foi tratado até ao final dos seus dias.

No lado mais técnico, a obra de Tyldum é igualmente irrepreensível. A sumptuosidade dos planos e o modo como estes se interligam com a banda sonora do sempre brilhante Alexandre Desplat é de louvar. Desde as cores, até ao som, não há falha que se note, ou que valha a pena mencionar (prova disso é a impressionante cena da corrida de Turing). É uma pena que o resto do elenco, à exceção de Cumberbatch e de Goode, não tivesse estado à altura do desafio. Diria até que é o maior  borrão na carreira de Knightley, que tanto havia feito de bom no último ano.

Mesmo assim, se este que vos escreve fosse professor, daria um 8 (em 10) a “The Imitation Game”, pelo argumento, cinematografia e, claro, pelo desempenho do inigualável e infalível Benedict Cumberbatch.

THE IMITATION GAME

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