IndieLisboa apresenta programação da sua 12ª edição


O festival de cinema IndieLisboa apresentou esta manhã a programação para a sua 12ª edição, que vai decorrer de 23 de Abril a 3 de Maio em quatro espaços da capital portuguesa: o Cinema São Jorge, a Culturgest, a Cinemateca Portuguesa/Museu do Cinema e, pela primeira vez, o Cinema Ideal.

“As pessoas em Lisboa não têm um bocadinho de espaço para ver filmes que não sejam uma merd… uma porcaria, quer na televisão, quer nas salas comerciais”, começou por dizer um dos programadores, Miguel Valverde, em conferência de imprensa. “Sei que há um trabalho fantástico do Pedro no Cinema Ideal, que há um trabalho muito bem feito no Nimas e que há a Cinemateca. Mas são assim umas ilhas.”

A 12ª edição do IndieLisboa faz algumas alterações na estrutura da programação para aproximá-la mais do seu público e para recuperar o perfil em torno do cinema independente. Houve um processo de simplificação do festival, com menor sobreposição de exibições de filmes, com uma nova circulação entre salas e uma aposta no cinema português. A principal alteração na estrutura do festival é a criação da secção Silvestre como consequência do desaparecimento de três secções distintas (Observatório, Cinema Emergente e Pulsar do Mundo).

Outra importante alteração trazida pela presente edição resulta da mais completa autonomização da Competição Nacional. Até aqui, as longas e curtas metragens portuguesas em competição estavam dispersas pelas várias secções do festival. A partir deste ano, a Competição Nacional é uma secção estanque e com um júri próprio (que avalia também a secção Novíssimos, dedicada aos valores portugueses emergentes), de forma a contribuir para a sua maior visibilidade junto do público nacional e dos profissionais estrangeiros que acompanham o evento (quase todos os filmes portugueses apresentados na Competição Nacional deste ano são estreias absolutas).

A última novidade na organização do programa do IndieLisboa’15 é a criação de uma secção especialmente pensada para as sessões da meia-noite intitulada Boca do Inferno e desaconselhada a almas mais sensíveis. Sem querer revelar demasiado, a organização refere que vai valer a pena descobrir nela experiências cinematográficas mais bizarras, extremas ou apenas desconcertantes que serão alguns futuros filmes de culto.

A restante programação do festival mantém-se dentro das linhas das anteriores edições, distribuída entre a Competição Internacional (este ano alargada a cineastas que tenham até um máximo de 3 longas-metragens), IndieJúnior, IndieMusic, Director’s Cut, Herói Independente e Sessões Especiais. No Herói Independente vão ser homenageados dois realizadores com universos vincadamente autorais e que procuram de forma estimulante renovar a tradição de um cinema resolutamente romanesco, a cineasta francesa Mia Hansen-Løve e o norte-americano Whit Stillman, através de retrospectivas completas das suas filmografias até ao presente momento (no caso de Stillman, a oportunidade será também de descoberta, já que nenhum dos seus filmes teve qualquer anterior exibição em Portugal).

Uma outra forma do IndieLisboa se reinventar é precisamente a de não ficar acomodado e procurar sair das salas de cinema onde o festival tem lugar (este ano saúde-se a entrada do Cinema Ideal, a juntar à Culturgest, ao Cinema São Jorge e à Cinemateca Portuguesa/Museu do Cinema) para criar espectadores de cinema em espaços menos conotados com a exibição cinematográfica. Nas sessões especiais, além da habitual importância dada ao cinema português, há também acontecimentos mais singulares e “fora de formato” como o concerto que antecede a exibição do filme Around the World in 50 Concerts, em colaboração com o festival Os Dias da Música, e a apresentação do essencial Concerning Violence, numa sessão seguida de debate a decorrer na Aula Magna.

A edição deste ano vai ter ainda um momento muito especial: a primeira aventura da IndieLisboa na produção cinematográfica. Por ocasião da 10º aniversário do festival, a organização encomendou a quatro realizadores que podia chamar seus (Denis Côté, Dominga Sotomayor, Gabriel Abrantes e Marie Losier) e vai apresentar este ano o resultado. Com o título Aqui, em Lisboa, o filme conta quatro histórias passadas em Lisboa tão distintas quanto as vozes dos seus quatro autores.

De acordo com a organização do IndieLisboa, a dimensão cosmopolita e globalizada de um festival internacional de cinema nunca deve apagar o carácter do local onde se realiza, sob o risco de se tornar um acontecimento indiferenciado, numa sucessão de eventos demasiado semelhantes entre si. O IndieLisboa tem tentado desde a sua primeira edição ser simultaneamente local e universal. É feito a pensar nas singularidades da cidade e do país onde se realiza, ao mesmo tempo que procura ter uma curadoria personalizada sobre o cinema contemporâneo mundial. Dialoga embora com outras visões nacionais ou estrangeiras igualmente atravessadas por uma preocupação com a actualidade cinematográfica que não se esgote na repetição de fórmulas ou na novidade vazia e inconsequente, não desejando que se confunda com nenhuma delas.

Podes conhecer a programação completa do IndieLisboa’15 aqui.