Maroon 5: recorda a banda que tinhas no MP3 quando éramos miúdos


Uma característica quase inerente à pop é a forma como as suas canções envelhecem com o tempo; ou como não envelhecem de todo. Se há casos de músicas que servem o seu propósito de entretenimento durante um curto espaço de tempo, e rapidamente se vão embora para dar lugar a outras composições fast-food, há também os casos das músicas que, apesar de se tornarem datadas, são fortes o suficiente para vencer esse teste. Estas últimas, muitas vezes ajudadas pelo factor nostalgia, servem como veículo para voltar atrás no tempo e para relembrar todos os momentos em que outrora nos divertimos ao seu som.

Antes de avançar, vale a pena deixar claro que nos referimos à pop consumista, à pop de entretenimento, à pop superficial. Não estamos a falar de Beatles, de Simon & Garfunkel ou de Blur. Referimo-nos à pop mais preocupada com vender do que com criar obras de arte. E sim, mesmo dessa podem resultar coisas boas e interessantes.

Os Maroon 5 são, certamente, uma prova viva disso. Songs About Jane, o primeiro álbum, editado em 2002, trouxe ao mundo músicas como “This Love” ou “She Will Be Loved”. Fenómenos quase instantâneos, serviram como banda-sonora para o ano que as viu nascer.

“Makes Me Wonder”, de It Won’t Be Soon Before Long, o segundo álbum, lançado em 2007, foi o próximo single da banda de Los Angeles a ter uma palavra a dizer no panorama pop desse ano. O falsete de Adam Levine voltou a ser a assinatura de um dos singles mais rodados do ano. “Won’t Go Home Without You” repete a proeza, e torna-se difícil não o ouvir sem voltar ao ano de 2007, associando a melodia a todos os momentos em que a ouvimos, mesmo sem querer, repetidamente.

Hands All Over, de 2010, traz-nos a ainda recente “Moves Like Jagger”. O demasiado produzido single é o mais pop até à data e, passados quatro anos, foi rapidamente substituído por qualquer outro produto de estúdio criado com o mesmo objectivo que esse single dos californianos. “Payphone” e “Love Somebody” vão pelo mesmo caminho até que “One More Night” nos faz ter saudades dos primeiros hits da banda.

Em V, o quinto trabalho de estúdio dos Maroon 5, a banda volta a afundar-se no oceano esquecível que a pop tende a ser. “Maps” e “Animals”, os primeiros singles, passam por nós sem deixar marca e apenas “Sugar” nos dá um pouco mais, funcionando como a luz ao fundo do túnel que nos devolve a esperança para acreditar que vamos voltar a ouvir mais dos Maroon 5 de Songs About Jane. O actual ponta de lança do conjunto de singles da banda norte-americana deixa-nos com vontade de relembrar os seus primeiros trabalhos e prova que as suas músicas resultam muito melhor quando apostam na vertente funk-de-refrão-catchy do que quando estão banhadas de uma electrónica despropositada.

Com visita a Portugal marcada para 17 de Junho, o concerto no MEO Arena vai ser a oportunidade de voltar a ouvir a banda que todos nós tínhamos no MP3 há uns anos. Os bilhetes podem ser comprados aquie é melhor correr porque tudo indica que estarão esgotados em pouco tempo (afinal a última turnê da banda foi em 2013).