Michael Rother, dos históricos Neu!, vai ao Milhões de Festa 2015


A lenda do rock alemão Michael Rother vai trazer NEU! e Harmonia a Barcelos. Com ele, vêm também Deerhoof, Peaking Lights e os portugueses Live Low, Plus Ultra e Cave Story.

Michael Rother plays NEU!, Harmonia & solo works, Deerhoof e Peaking Lights são as novas confirmações internacionais para a edição de 2015 do Milhões de Festa, à qual os Live Low, Plus Ultra e Cave Story darão, ainda, um sabor do melhor que por Portugal se faz.

Os novos 6 nomes juntam-se a um line-up que tem confirmadas actuações de The Bug (feat. Flowdan & Manga), The Cosmic Dead, All We Are e Grumbling Fur, entre outros.

Michael Rother, com uma extensa herança intimamente ligada ao exercício de futurologia passado nos géneros rock e electrónica, dispensa apresentações. Trará na calha o peso da história dos NEU! e Harmonia para apresentar. Pelo seu lado, Deerhoof e Peaking Lights trazem os seus mais recentes registos, lançados no ano volvido de 2014, para apresentação no Parque Fluvial de Barcelos.

O Milhões de Festa acontece entre os dias 23 e 26 de Julho em Barcelos. Os bilhetes, já à venda, custam 49,99 euros até ao dia 11 de Maio.

​Michael Rother plays NEU!, Harmonia & solo works

Michael Rother é mais do que uma aleatória conjugação de dois nomes que identificam um nativo de Munique. Quantas vezes estes nomes se combinaram na história da humanidade, é algo que nunca conseguiremos precisar, mas de todas as vezes que tal aconteceu, nenhuma pareceu tão cosmicamente influenciada a tornar-se inesquecível como a que distingue o mentor dos NEU! e dos Harmonia. Este Michael Rother, o único de que poderemos falar, é inegavelmente talentoso, cujo influência atravessou gerações, géneros e as próprias barreiras do espaço-tempo delimitadas pela física. Desde o início dos anos 70 em actividade, foi um dos poucos artistas capazes de definir o som da sua contemporaneidade sem o vedar do futuro. Michael Rother é, ainda, o futuro do que ouvimos nos reinos rock e electrónicos. O wormhole que cria com o seu cunho inegável do kraut vai trazê-lo para coordenadas mais familiares no verão: Barcelos, Julho de 2015.

Deerhoof

Os Deerhoof estão para a explosão do indie como os buracos negros estão para o universo e para o seu início — são um dos elementos essenciais da vida do género e, com o passar do tempo, não parecem perder ritmo para a competição directa mais nova. Antes pelo contrário, “La Isla Bonita” serve como prova para a aparentemente inesgotável fonte de inspiração do grupo norte-americano, que continua tão excêntrico nas suas composições pop quanto orelhudos e cheios de ganchos para nos prender.

Peaking Lights

A pop é delicada, é saborosa e cheia de detalhes de nos encher o peito. Os Peaking Lights acrescentam uma palete de cores como regalo para os ouvidos, mais do que para os olhos. Nada na música do duo se fica pela linearidade das melodias cativantes: para cada gancho, um adorno psicotrópico; para cada progressão harmónica, um piscar de olhos ao dub, à electrónica e a um baú de inspiração sem fundo. Em caso de dúvida em relação ao talento da dupla norte-americana, que o destilam pelos poros, nada como ouvir o mais recente “Cosmic Logic”, um tiro certeiro na pop.

Live Low

Quando teóricos como Bakunine, em pleno clima revolucionário, incitavam à destruição, poucos pensariam no que de bom seria erigido por cima das ruínas. Mas não é por acaso que a destruição é um prazer criativo, nem tampouco uma coincidência que dos escombros de Ghuna-x nasça um projecto impreterivelmente importante na cena nacional: Live Low actuam sob a batuta de um maestro do hip-hop, agora completamente dedicado à electrónica experimental. O nome diz tudo: acreditem nas frequências baixas, elas mexem com os vossos corpos.

Plus Ultra

Quando uma guitarra e uma bateria entram em conflito, nem a existência de um terceiro elemento poderá resolver o caos sonicamente provocado. Parece vago, mas poucos adjectivos servirão para descrever uma banda de baralho assumidamente incompleto como Plus Ultra. Nas suas explosões cáusticas, o power trio assume-se na relação única entre o chavasco e o rock, numa sujeira limpinha-limpinha: com jogadores destes, é inevitável não se ter um alinhamento vencedor.

Cave Story

Os Cave Story são uma espécie de pintura rupestre feita a laser: o trio das Caldas da Rainha retrata os temas de sempre do rock, tão antigo quanto a própria guitarra eléctrica, com a precisão da técnica actual — contudo, soa-nos tudo familiar demais para não fazer parte de um cancioneiro ancestral das primeiras reacções dos Ramones ao mundo. Não estranhem quando derem por vós a entoar malhas como “Southern Hype” insistentemente.