NASA confirma existência de um vasto oceano numa das luas de Júpiter


Mais notícias relativamente à presença de água no nosso sistema solar, desta feita identificada numa das luas de Júpiter. A NASA anunciou ontem que a maior lua de Júpiter, Ganimedes, terá um vasto oceano abaixo da sua superfície, após observações feitas pelo telescópio espacial Hubble.

O maior satélite em todo o sistema solar, Ganimedes, ligeiramente maior até que Mercúrio, foi uma das quatro luas de Júpiter descobertas por Galileu no início do século XVII. Devido às suas características e ao facto de ser o único satélite com um campo magnético próprio, este corpo celeste sempre foi motivo de interesse e estudo para os astrónomos. Os dados mais aproximados que se tinham de Ganimedes haviam sido obtidos em 2000, quando a sonda Galilei explorou o gigante planeta Júpiter e as suas luas.

Apesar das suspeitas de que Ganimedes albergaria um vasto oceano debaixo da sua superfície, os dados não permitiam ter certezas relativamente a este facto. A confirmação chegou no início deste ano possibilitadas pelas observações feitas pelo telescópio Hubble.

O Hubble captou uma aurora na atmosfera da lua, um fenómeno idêntico àquele observado nos polos terrestres, e provocado pela interacção das partículas energéticas transportadas pelos ventos solares e atraídas pelo campo magnético, com os átomos existentes na atmosfera.

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Ora, sabe-se que a existência de água altera as propriedades da aurora. Na ausência de água, observa-se uma ondulação do fenómeno, quase como se dançasse no ar. Contudo, na presença de um meio conductivo como a água salgada de um oceano, a aurora torna-se muito mais estável e imóvel. O telescópio registou a aurora, como se pode ver na imagem acima, e os astrónomos calcularam que esta se tenha movido apenas 2 graus, menos do que os 6 graus previstos na ausência de um oceano.

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Se por um lado é um dado extremamente relevante e positivo, a confirmação da existência de um vasto oceano em Ganimedes, há que assinalar a sua exploração seria mais que difícil. Os astrónomos estimam que o oceano esteja a 160 km de profundidade abaixo de uma crosta bastante resistente. Além do mais a inexistência de um sistema hidrotermal como o existente noutras luas de Júpiter como Europa, torna pouco possível que possa existir água em estado líquido.  Condições que não tornam a maior lua de Júpiter  uma prioridade na lista da exploração espacial.

Apesar disso, a ESA está a preparar uma missão de exploração a Júpiter e às suas três maiores luas – além de Ganimedes, Europa e Calisto – nas quais também se julga que possa existir água. A missão, de seu nome JUICE, terá como objectivo estudar melhor estes satélites e aumentar o nosso conhecimento sobre as suas características.

(fonte: NASA)