O Estado Islâmico teve uma rede social própria durante 6 dias


Tinha várias semelhanças com o Facebook mas não era para qualquer utilizador. O Estado Islâmico criou uma rede social própria para permitir a comunicação entre os seus apoiantes, depois de o Twitter e o Facebook terem bloqueado várias contas associadas a jihadistas. O site esteve activo apenas durante seis dias. Grupos associados aos Anonymous já reivindicaram um ataque à página.

O Khelafabook – 5elafabook – foi criado através do Socialkit, um programa que permite a qualquer usuário construir uma rede social. Foi registado no site de domínios GoDaddy dia 3 de Março a partir de Mossul, no Iraque, ainda que a base indicada seja “Estado Islâmico”, no Egipto.

O nome é uma derivação de “Khalifa”, que significa “Califado” em árabe. O Khelafabook estaria disponível em inglês, alemão, espanhol, indonésio, javanês e português, mas não em árabe.
Apesar de graficamente as semelhanças com o Facebook serem notórias, as imagens divulgadas mostram um site de aspecto inacabado, quase amador.

Se tentarmos aceder agora à página, uma mensagem diz-nos que o site está “temporariamente encerrado para proteger informações e detalhes sobre os seus membros e a sua segurança”. Acrescenta que este é um site independente que não conta com o financiamento do Estado Islâmico e que serve para “esclarecer” o objetivo da missão que representam: “Não vivemos para matar e espalhar o sangue como a comunicação social nos representa, estamos a lutar contra os inimigos de Alá.”

5elafabook_mensagem

Além do site, foi criada uma conta Twitter com o mesmo nome, que também já foi suspensa. É precisamente no Twitter que têm surgido reivindicações do ataque ao Khelafabook. Contas associadas ao grupo Anonymous assumem-se como responsáveis pelo encerramento do site.

No Pastebin, site de partilha de ficheiros, foi criada uma mensagem que dá instruções sobre como aceder à rede social de forma protegida e através de contas de e-mail falsas.

Não ficou claro quantos membros o Khelafabook atraiu ou quem o criou. De acordo com o serviço SITE, responsável por localizar actividade jihadista na web, militantes do Estado Islâmico têm realizado debates em fóruns on-line sobre a origem deste tipo de plataformas, onde põem em causa que se trate de uma armadilha das autoridades ocidentais.

Certo é que a Internet é uma das principais ferramentas de recrutamento do Estado Islâmico e que as grandes redes sociais têm eliminado vídeos de propaganda, imagens violentas e já encerraram milhares de contas associadas a jihadistas. Com este site, os seus criadores acreditam ter passado a mensagem, uma mensagem que termina dizendo “Nós amamos morrer como você amam viver, e prometemos lutar até ao último de nós.”