Tobias Jesso Jr – ‘Goon’


 
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Quem não gosta de um pouco de crooning? Um registo tão popular no passado continua a ser reinventado repetidamente e não deixa ser de agradável quando um músico nos consegue deixar maravilhados apenas com um instrumento musical, uma voz e umas palavras que vão diretas ao mais oculto das nossas emoções. Como se o McCartney ou Lennon ainda escrevessem canções.

Se virem o Tobias Jesso Jr a tocar “How Could You Babe” no Jimmy Fallon (o seu debut na televisão dos Estados Unidos), vão reparar que não é o seu fato azul escuro e a colaboração com os Roots que são irrepreensíveis. Também a sua performance, vocal e não só, está perfeita.

Muito disto é explicado com o facto do músico ter ido para Los Angeles para tocar na banda de uma qualquer aspirante de popstar e ter passado lá quase uma década a tentar ter sucesso como ghostwriter. Depois de ter sido atropelado, descobrir que mãe tinha cancro e ter acabado o namoro que o prendia à Califórnia, voltou para casa e foi aí que descobriu o velho piano que lá estava – nunca lhe tinha dado atenção até aí.

Ao ouvir este disco é impossível não reparar que Tobias tinha muitos amigos músicos. JR White dos Girls foi um dos produtores que apostou nele, o que justifica ter produzido uma série de faixas, mas também há espaço para Pat Carney dos Black Keys e para um blockbuster baladeiro – “Without You” – que sai das mãos mágicas de Ariel Rechstaid. A produção é fiel a si própria, um piano criativo que se vai reinventando ao longo das músicas, instrumentos de corda dedilhados e uma percussão sub-reptícia.

A fórmula está tanto nas canções de Tobias como na melodia que as acompanha. Para além da base sónica referida, ainda há uma guitarra elétrica deliciosa em “Crocodile Tears”, um xilofone que parece uma chuva de estrelas em “Leaving LA”. E são músicas como esta “Leaving LA” que têm todos os ingredientes – heartbreak, fracasso, desistência. A minha favorita é a “Hollywood”. Não deixa de ter piada como este Goon nos leva tão longe com um arsenal sonoro tão contido.

É bom encontrarmos coisas genuínas num tempo em que o verdadeiro está sempre escondido sobre camadas e camadas de produção. Para isso basta ouvir este Goon.

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!