5 lições para não esquecermos Günter Grass


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Morreu o escritor alemão Günter Grass. O Prémio Nobel da Literatura de 1999 tinha sido internado com uma infecção respiratória na semana passada e parecia estar a recuperar tranquilamente dessa situação. Faleceu esta segunda-feira no hospital da cidade de Lübeck, na Alemanha.

Apesar de já se ter reformado da literatura, tinha acabado de terminar mais um livro e continuava a pôr o seu talento em prática apesar da idade avançada. O seu funeral será uma cerimónia privada, mas já foi anunciada a sessão de despedida oficial.

A sua última presença em público tinha sido dia 28 de Março, quando assistiu a uma interpretação de uma obra sua em Hamburgo. Estava feliz, acompanhado por filhos e netos e aceitou o convite de estar presente na interpretação de Tin Drum, romance icónico. A família também esteve ao seu lado na sua última noite.

Já muitos se manifestaram acerca da morte do escritor, entre eles Salman Rushdie: “É muito triste. Um verdadeiro gigante, inspiração e amigo. Toca tambores por ele Oskar.” A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse que Grass “acompanhou e moldou a história da Alemanha no pós-guerra com o seu impacto na arte, na política e na sociedade”.

Grass nasceu na cidade de Gdansk em 1927, quase tarde o suficiente para evitar o envolvimento com o regime fascista alemão. Admitiu essa aproximação na sua autobiografia de 2006 – Descascando a Cebola –, mas não esperava a repercussão que fosse ter na sua imagem pública. Justificou-se dizendo que, na época, achava ser apenas uma instituição de elite.

O escritor teve ao longo de toda a sua vida fortes críticas e opiniões à sociedade alemã, à comunidade europeia e ao panorama global. As suas palavras acerca da unificação da Alemanha foram essenciais para a formação da opinião pública acerca do assunto e não foram poucas as polémicas em que se envolveu ao longo da vida com a sua atitude sem tabus.

À nossa geração e aos escritores mais jovens deixou críticas de sermos poucos interventivos ainda há bem pouco tempo. É pela sua escrita e obra que o relembramos, mas também por esta atitude tremenda que tinha em relação ao que deve ser dito. Desejamos que descanse em paz e deixamos grandes pensamentos em curtas frases, para honrarmos Günter Grass.

1 – acerca de democracia

“A democracia não é um estabelecimento fixo. (…) Estamos a caminho de a desmantelar.”

2 – acerca dos nossos erros

“Sim, eu tenho isto (…) e sempre encontrei nessa falha uma depressão de que não consigo falar.” (Falando do seu passado nas SS.)

3 – acerca de funerais

“Só os funerais são festas à altura.”

4 – acerca dos media

“Apercebi-me de que não um país democrático, onde há liberdade de imprensa, mas há coordenação de uma opinião mesmo que não se recue no conteúdo.” (Acerca da polémica do seu poema crítico de Israel “O Que Deve Ser dito”.)

5 – acerca de livros

“Até os maus livros são livros e por isso mesmo são sagrados.”

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