As start-ups estão mais “verdes”


As start-ups estão mais verdes. Não é esse verde em que estás a pensar. É o outro. A indústria da marijuana medicinal está a desenvolver-se muito rapidamente, devido à existência de cada vez mais estados norte-americanos a legislar a substância. As empresas de capital de risco estão a financiar start-ups relacionadas com a cannabis que tenham promessas sólidas e um espaço reservado no futuro.

A Privateer Holdings, uma start-up sediada em Seattle, conseguiu no início de Abril 75 milhões de dólares investimento, que significam um total de 82 milhões se tivermos em conta rondas anteriores. A consultora CB Insights diz que é o maior financiamento de sempre a uma empresa de cannabis. Mas é mais que isso: os 75 milhões significam também o envolvimento da primeira empresa mainstream de capital de risco no sector, a Peter Thiel’s Founders Fund.

Note-se que a Peter Thiel’s Founders Fund não foi a única a meter dinheiro na Privateer Holdings: houve outros investidores, entre indivíduos e empresas.

Focada em produzir e distribuir produtos relacionados com marijuana, como também em educar os seus consumidores, a Privateer Holdings é dona de três empresas: a Leafly, a maior biblioteca online sobre erva; a Tilray, uma empresa sediada em British Columbia que produz, processa e distribui marijuana medicinal pelo Canadá; e a Marley Natural, uma nova marca criada com o cunho da família de Bob Marley, que vai produzir produtos medicinais de cannabis para o mercado norte-americano.

As visitas ao site da Leafly não param de crescer ano após ano. Só em Março passado, o site somou 5,5 milhões de visitas. Já a Tilray tem 3 500 pacientes registados e está à espera da aprovação do governo canadiano para produzir mais de 45 kg de marijuana medicinal por semana. A Marley Natural, por seu lado, está a ser desenvolvida ainda.

Apesar de ter sido criada em 2010, a Privateer Holdings está ainda no início na sua actividade e tem um mercado muito verde pela frente. Quer expandir-se geograficamente e também criar mais marcas, acompanhando os progressos legislativos que estão a ser feitos ao nível da cannabis. Na verdade, a Privateer Holdings pode não só ajudar a que mais estados legalizem a erva, como para que a opinião pública mude gradualmente a sua percepção em relação à substância.

Desde 2010 – altura em que a Privateer Holdings nasceu pela mão de dois amigos que decidiram abandonar o seu emprego –, até hoje muito mudou. A marijuana medicinal era legal em apenas 15 estados e só 29% da população norte-americana vivia nessas áreas. Hoje, a cannabis para fins médicos cobre 72% da população norte-americana, ao estar legalizada em 27 estados.

Mais marijuana legal, mais mercado

À medida que a marijuana é legalizada, mais oportunidades de negócio surgem. E a Privateer Holdings não é a única start-up a atrair investimento. A indústria da cannabis está a ter a atenção de cada vez mais empreendedores e investidores. Também os investidores, que antes preferiram ficar no anonimato quando colocavam dinheiro numa start-up relacionada com erva, estão agora a sair da sombra e revelar o seu interesse no sector.

A WeedWall, por exemplo, é uma rede social para consumidores de marijuana medicinal, onde estes podem criar uma rede de contactos e partilhar aquilo que sabem. A MassRoots é também uma rede social, mas para qualquer consumidor de cannabis (disponível em qualquer parte do mundo). Já a Nestdrop quer entregar não só cannabis medicinal, como álcool se o pacientes assim quiser. Sediada em São Francisco, a Meadow promete levar um médico a casa de pacientes para lhes fazer um diagnóstico e depois entregar ao domicílio erva de lojas locais.

Quatro exemplos de start-ups “verdes” que receberam investimento. O mercado da marijuana é promissor.