Casa Fernando Pessoa celebra centenário da Orpheu com um Abril especial


O músico JP Simões, o actor Guilherme Mendonça e os poetas Miguel-Manso e Nuno Moura vão este sábado, às 17 horas, à Casa Fernando Pessoa (CFP) ler textos dos dois volumes publicados de Orfeu, bem como do terceiro.

A sessão – de entrada livre – pertence ao ciclo Sem Casas Não Haveria Ruas, uma parceria da editora BOCA com a Fundação José Saramago, e foi baptizada de “Eles, Os Orpheu”. JP Simões vai dizer Álvaro de Campos, Miguel-Manso promete mergulhar no vertiginismo de Raul Leal, Nuno Moura lerá Ângelo de Lima, seu mestre de poesia, e Guilherme Mendonça dará voz a Fernando Pessoa ortónimo, o arquitecto de Orpheu.

O evento deste sábado é apenas uma das muitas iniciativas que a CFP tem programadas para este Abril, o mês em que está a celebrar e evocar a centenária Orpheu. “Passam 100 anos sobre a publicação de um conjunto de textos cujos autores assinam, colectivamente, um novo modo – disruptor, provocador – de fazer e pensar a literatura em relação com as outras artes”, refere a CFP numa nota de imprensa.

Ao longo de todo o mês, a recém-inaugurada exposição de Pedro Proença, Os Testamentos de Orpheu, vai ocupar a Casa Fernando Pessoa com uma revisita ao espírito e traço de Orpheu, feita por um artista que, de acordo com a mesma nota, tem repetidamente trabalhado sobre a intersecção das artes e dos textos literários.

A CFP refere ainda que um novo ciclo vai ser aberto em Abril, para continuar em Maio: “O Que É Ser Moderno Hoje?” é um conjunto de mesas-redondas, orientadas pelo jornalista Luís Ricardo Duarte, do Jornal de Letras, e pelos críticos e poetas José Mário Silva e António Carlos Cortez, que pretende alargar o debate sobre a modernidade poética e perguntar de que forma, 100 anos depois de Orpheu, a modernidade é pensada e o que pode ser considerado inovação, ruptura ou vanguarda. Os debates irão ter lugar na CFP e no Martinho da Arcada, com sessões alternadas, sendo que a primeira delas acontecerá dia 15.

A palavra de Orpheu é celebrada também pela programação regular da CFP. O já habitual debate Os Espaços em Volta, de Inês Fonseca Santos e Filipa Leal, recupera no dia 30 de Abril, às 19 horas, o tema do Manifesto, desdobrando-o em diferentes acepções.

No programa de lançamentos e apresentações de livros, a Casa Fernando Pessoa acolheu no dia 9 deste mês a apresentação de A Estrada do Esquecimento e Outros Contos, um volume de contos de Fernando Pessoa, quase todos inéditos, organizados por Ana Maria Freitas e editados pela Assírio & Alvim. No dia 23, vai ser apresentado um outro livro: 1915 O Ano Do Orpheu é um conjunto de ensaios de diferentes autores, organizado pelo pessoano alemão Steffen Dix para a Tinta-da-China. O livro reúne ensaios de mais de vinte autores, que contextualizam o surgimento de Orpheu no âmbito nacional e europeu, dedicando ainda estudos monográficos a quase todos os colaboradores da revista.

A programação Orpheu da CFP estende-se para fora de portas, propondo um regresso aos cafés como ponto de encontro e discussão sobre o lugar da literatura e da arte, como lugar de criação. O ciclo Café Orpheu surpreende, aos sábados, os clientes de alguns cafés do Chiado, como A Brasileira, o Fábulas, o Kaffeehaus ou o Vertigo, com criadores de diferentes áreas artísticas a experimentarem diferentes aproximações aos discursos e propostas de Orpheu.

Para mais detalhes sobre a programação da Casa Fernando Pessoa para este Abril, aconselhamos a consulta do site oficial e também da página de Facebook.