Há mais 11 nomes para o Milhões de Festa 2015


 
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Aos já anunciados Michael Rother, The Bug e Peaking Lights, entre outros, juntam-se agora THEESatisfaction, PERC Live, Drunk In Hell, The Holydrug Couple, Go!Zilla e os portugueses Tiago, Hitchpop, Ecko Deck, O Gringo Sou Eu, Tresor&Bosxh e Toulouse.

Com uma equação elaborada a partir de Michael Rother (ex-NEU! e Harmonia), The Bug, Peaking Lights, All We Are e The Cosmic Dead, o Milhões de Festa subiu a parada de anuncio em anuncio para o fim-de-semana de 23 a 26 de Julho, que já só tem um destino possível: Barcelos.

Aos nomes já anunciados, junta-se agora a neo-soul elevado às nuvens do hip-hop das THEESatisfaction, capitalizando com o recém-editado segundo LP, EarTHEE. Com as norte-americanas vem o lendário produtor techno e fundado da Perc Trax, PERC, que se apresentará nas noites mais longas de Barcelos em formato Live, ficando a decadência de fim tarde e da noite jovem para o rock de riffs enlameados de Drunk In Hell. Do chile virá a dupla The Holydrug Couple, a nova aposta da editora Sacred Bones.

Itália, desta feita, levará até ao festival minhoto o garage rock dos Go!Zilla, que partilharam palcos com os Glockenwise recentemente. As contribuições portuguesas vêm pelas mãos da música de dança com selo de qualidade DFA de Tiago, o post-rock à Chicago dos Hitchpop, a house desafiante dos Ekco Deck e o hip-hop enraízado no folclore lusófono de O Gringo Sou Eu. Para finalizar, ficam prometidas explorações ambientais pelas mãos dos barcelenses Tresor&Bosxh e vimaranenses Toulouse, ambas bandas instrumentais.

THEESatisfaction

As THEESatisfaction são a prova cabal de um darwinismo simples: singram os que melhor se adaptam, e os que melhor informação genética tiverem no seu ADN. Do neo-soul Erykah Badu aos primórdios do hip-hop e do rhythm n’ blues, a alma negra da América flui na poesia, na música e na convergência de ambas, nas vozes da dupla de Seattle, editada com o selo de qualidade irrepreensível da Sub Pop. A dupla vem de ferry até Barcelos com Earthee, o segundo longa-duração, na bagagem. Uma bagagem tão cheia de soul, blues e THC.

PERC Live

Perc existe numa tensão especial entre o passado da electrónica e o futuro do techno, contribuindo, no presente, para uma noção de som e textura mais abrangente, que se estende à intoxicação industrial em que vivemos. E o seu curriculum fala por sim: para além da sua super-influente editora, a Perc Trax, o seu cunho estende-se por selos tão variados e prementes quanto CLR, Kompakt, Drumcode, Stroboscopic Artefacts e Ovum. A sua pegada ecológica vai alastrar até Barcelos, onde irá digitalizar o inebriante e ritmar o ruído até à explosão de dança compassada que cunhou.

Drunk In Hell

O Milhões já não é estranho ao sludge, nem às variações punk mais pesadonas, mas os Drunk In Hell trazem uma dose de má atitude sem-pieguices inédita até Barcelos. Riffs ríspidos sobre a catadupa da bateria aliam-se a uma voz ébria e um saxofone gritante à la Stooges circa 69 nas músicas da banda britânica, que, depois de sete anos em actividade, se prepara para editar o registo de estreia pela Burning World Records, selo do Roadburn.

The Holydrug Couple

A música dos Holydrug Couple desperta as mais brilhantes sequências de pensamento, levando-nos do sonho (que se prefixa à sua pop) às cores, das cores aos dos trópicos e de volta ao vazio. Não é por acaso que a dupla chilena é uma aposta da cada vez mais incontornável Sacred Bones — assim como não é por acaso que artistas com o selo de qualidade da discográfica americana tenham sempre que algo que se lhes diga. Aos Holydrug Couple cabe-nos dizer que nos levem para onde tiverem que levar, desde que não parem de tocar.

Tiago

Tiago é parece um nome simples demais para alguém com tanta prova dada de talento: não existe nada de simples numa residência na discoteca mundialmente conhecida Lux Frágil, em Lisboa, nem em edição através da editora de Peter Murphy, a DFA. Simplesmente, Tiago fê-lo, e promete deixar bem claro como o conseguiu e porquê. Certamente, as madrugas de Barcelos passarão demasiado depressa.

Hitchpop

Às vezes, parece que o rock instrumental se dirige todo no mesmo sentido — mas a esperança tende a preservar-se e os Hitchpop não surgem como seus carrascos. Bem pelo contrário, a banda portuense leva para o post-rock a postura mais ajazzada de Chicago, explorando os instrumentos em detrimento de os modularem. Não vendemos banha de cobra a ninguém: é instrumental, é rock, e é com os detalhes que nos vai apanhar.

Ecko Deck

Os Ekco Deck demonstram, através da sua música e com uma facilidade desconcertante, o que não é óbvio o suficiente: a melhor forma de contornar a repetição e os seus efeitos letárgicos é enriquecê-la com informação. Cada acrescento do duo portuense revela-se um toque essencial que os coloca, a par e passo, para lá das fronteiras do house convencional.

Go!zilla

Às vezes, uma guitarra e fuzz parece coisa pouca. Outras vezes, como acontece com os Go!Zilla, é o que basta para se fazer a festa, atirar os foguetes e ainda ir buscar as canas. Com riffs garage bem rasgados, o trio de Florença sabe bem como fazer uma melodia em gancho para um knock out imediato. Quando dermos por ela, estamos todos a bater o pé.

O Gringo Sou Eu

O hip-hop é invariavelmente autobiográfico, mas esta noção ganha proporções novas com O Gringo Sou Eu. Francão, percussionista nos HHY & The Macumbas, vindo do norte do Brasil e residente no Porto, incorpora nas suas batidas elementos do samba ao fado com uma impressionante ginástica rítmica, que tão bem adorna com um escárnio lírico interventivo.

Tresor&Bosxh

O drone não é óbvio, mas os Tresor&Bosxh circulam-no. Para cada paisagem descrita pela guitarra, há uma camada de ritmo constante que abrilhanta os ambientes com cor e textura. A banda de Barcelos exercita a experimentação geográfica, moldando o que os rodeia com som.

Toulouse

Vindos de Guimarães, os Toulouse abordam o seu post-rock sem clichés nem preconceitos. Não se procura o crescendo, não se procura uma maratona épica musical, apenas a delícia das suas capacidades descriptivas. Cada canção é uma abordagem ao âmago, transformando cada fraseado de guitarra num momento de comunicação essencial. Não há como não crer em que há algo de especial no ar minhoto.

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