Há um ano a “zomatizar” Portugal


Se ainda não conheces a Zomato, devias. O Shifter foi conhecer a sede e a equipa por trás da empresa e conta-te tudo, um dia depois do primeiro aniversário da Zomato em Portugal.

Procuras um restaurante para comer em Lisboa? Queres indiano, um pequeno-almoço saudável, ou preferes um lugar escondido para um jantar romântico a dois? Qualquer um destes desejos se tornou mais fácil de concretizar há um ano. A 9 de Abril de 2014, a Zomato apareceu em Portugal para responder às preces dos foodies mais exigentes e indecisos.

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A plataforma permite-te pesquisar os restaurantes e bares localizados à tua volta, saber informações sobre ementas e contactos de restaurantes, mas tem também uma forte componente social. Além de poderes seguir e ser seguido por quem quiseres, podes avaliar restaurantes de 1 a 5, escrever críticas e partilhar fotografias dos pratos. Como numa rede social, na Zomato crias o teu perfil, coleccionas fotos e amigos com o bónus de treinares a escrita enquanto te tornas num crítico gastronómico.

O primeiro ano de Zomato

“Portugal apareceu por acaso”, são palavras de Miguel Ribeiro, o country manager da Zomato Portugal, que nunca duvidou do potencial do país para receber uma plataforma do género. “Eu queria abrir uma empresa de marketing e comunicação para restaurantes, cruzei-me com a Zomato e pedi-lhes uma parceria.” Miguel não imaginava que ia ser contratado para trabalhar na empresa. Depois de uma rápida conversa de Skype com um dos fundadores da Zomato, foi convidado para ir para a Índia ocupar o cargo de vice-presidente de vendas.

Foi depois de muito insistir que Portugal era “o sítio perfeito para fazer testes” que voltou com a missão de “zomatizar” o país. “Disseram-me que já que gostava tanto de Portugal devia vir, mas continuava a fazer o trabalho para que me contrataram. Não faziam ideia do potencial do país. Portugal dá cartas pelas pessoas, pela receptividade do mercado. Temos excelente comida e restaurantes hospitaleiros mas que não sabem comunicar.” 

O acaso acabou por servir as circunstâncias. Em Abril de 2014, Portugal foi lançado com uma característica nova, o Food Feed (idêntico ao News Feed do Facebook). O teste correu tão bem que a feature acabou por ser inaugurada nos outros países.

Nos primeiros tempos, receberam membros da equipa indiana para formar os portugueses. Toda a equipa ia para a rua fazer o reconhecimento dos bairros lisboetas e dos seus restaurantes para posteriormente os inserirem na plataforma. Num bloco, anotavam as características de cada um como o preço, o ambiente e o tipo de cozinha e tentavam logo associá-los às colecções: Para a Família, Refeições de Grupo ou Pérolas Escondidas, são alguns dos exemplos.

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No processo de “zomatizar” cada zona da cidade, é importante que os consultores apresentem a aplicação aos donos dos restaurantes e que lhes mostrem o proveito que podem tirar dela: “Queremos torná-los embaixadores da marca e assim que num determinado bairro saibam usar a Zomato na íntegra avançamos para outra zona.”

Nem todos os restaurantes receberam a Zomato da mesma forma. Miguel divide-os entre “os analógicos e os digitais”. Como o nome indica, aqueles mais virados para as novas tecnologias são mais receptivos, mas a empresa sente que a grande maioria, especialmente os que precisam de ganhar dinheiro, notam que têm que apostar neste tipo de ferramentas: “Somos uma rede social para foodies, falamos com quem é apaixonado por comida como nós e os restaurantes começam a perceber que somos um canal de comunicação muito bom para os consumidores.”

Hoje, a Zomato reúne a informação de cerca de 11 mil restaurantes e bares do distrito de Lisboa. Todos eles têm acesso a um painel de controlo do seu restaurante dentro da plataforma, onde podem consultar estatísticas sobre o negócio e responder às opiniões dos clientes.

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Desses 11 mil estabelecimentos, 112 são clientes da empresa, ou seja, compram publicidade dentro da plataforma e têm direito a um consultor de marketing. O objectivo é ajudar a afinar a comunicação e a perceber as tendências em volta do restaurante. O consultor ajuda também a responder aos comentários dos utilizadores. Miguel Ribeiro comenta que já houve situações desagradáveis e discussões entre donos de restaurantes e clientes insatisfeitos: “Não devem ser demasiado rápidos a dar uma resposta a um mau comentário. Vivemos na era do feedback e podemos ajudar a tornar um cliente que reclamou num fã da casa.”

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Uma comunidade de foodies

Depois de um ano de trabalho, a Zomato fez crescer à sua volta uma comunidade de pessoas que gostam de comida e de experiências e é para eles que a empresa trabalha. É Miguel Ribeiro quem o garante: “Queremos fazer aquilo que é importante para o utilizador, saber o que precisam e ir ao encontro das suas necessidades.”

Bloggers, opinion leaders, a relação da Zomato com os seus utilizadores é tão próxima que a sede da empresa está decorada com “zelfies” (sim, com Z) e fotos de grupo. São convidados com regularidade para privar com a equipa e dar sugestões: “Os utilizadores pedem muito o serviço de reservas, pedem e sugerem novas colecções e pedem muito o Porto.” 

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Por enquanto, a Zomato só inclui restaurantes da zona da Grande Lisboa e a equipa confessa que essa tem sido uma das maiores críticas à aplicação. Miguel Ribeiro diz que é importante implementar a 100% o negócio em Lisboa para poder seguir para outra cidade: “Lançar várias cidades ao mesmo tempo foi considerado um erro noutros países porque não nos conseguimos focar o suficiente em cada uma delas.” E acrescenta: “Para nós é importante ter o reconhecimento da marca na cidade onde estamos e fazer as pessoas utilizarem intensivamente a Zomato. Quando tivermos corpo suficiente seguimos para outra cidade. O difícil é ganhar a primeira.”  E quando é que uma cidade está ganha? Em Lisboa, a Zomato já ultrapassou 1 milhão de visitas por mês e os utilizadores fazem cerca de 300 reviews por dia. Parece muito, mas a equipa quer empurrar mais ainda. O Porto será o próximo passo – está previsto no próximo mês/mês e meio – depois Faro, Funchal, até que Portugal esteja totalmente zomatizado.

A possibilidade de fazer reservas online, de fazer o pagamento da refeição através da aplicação e o serviço de entregas são algumas das características estudadas para serem implementadas dentro de pouco tempo. Portugal terá muito em breve o serviço de reservas, numa altura em que o país cresce enquanto hub europeu para formação e treino de pessoas. Há três portugueses a trabalhar na sede na Índia, outros estiveram envolvidos no lançamento da Eslováquia, República Checa, Itália, Polónia e Reino Unido.

Portugal e o DNA Zomato

Miguel Ribeiro acredita que os portugueses têm o DNA Zomato: “Agarramos com facilidade tudo o que sejam novas tendências e tecnologias, tudo o que fazemos é à volta de uma mesa, temos cultura de trabalho e pessoas com visão. É muito fácil encontrar cá este tipo de pessoas, temos muitos jovens que entendem o que estamos a fazer.”

Neste momento a equipa tem cerca de 35 pessoas, mas a ideia é fazê-la crescer rapidamente. A Zomato está a contratar e continua à espera da pessoa certa. Já entrevistaram mais de 60 pessoas mas trabalhar aqui não é para qualquer um: “Não é fácil lidar com a loucura do nosso ambiente. Não pode ser alguém demasiado corporate, tem que ser desprendido mas saber para onde quer ir.” 

Os candidatos têm que ter a chamada Cultura Zomato. Mais do que gostar de comida, têm que gostar da experiência da refeição e da aventura de pôr as mãos na massa, em todos os sentidos. Têm que ter as características bem portuguesas que fizeram Miguel Ribeiro ter pressa em trazer a Zomato para Portugal.

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A Zomato está em 22 países, mas faz um ano que a plataforma chegou àquele que parece ser a sua cara. Apanhou boleia do boom de programas de culinária e do gosto pela gastronomia que parece ter emergido em Portugal nos últimos tempos. Sushi, pizzarias e o famoso brunch lideram as pesquisas dos portugueses que, segundo a aplicação também preferem as zonas do Parque das Nações e do Bairro Alto.

Se a comida está na moda, a Zomato é o melhor catálogo a consultar. Um catálogo que esperamos que venha a ficar cada vez mais completo e delicioso, porque quando o assunto é comida, todos nós agradecemos.