O que ver no Lisbon Week 2015?


Ao longo desta semana, Alvalade vai ser o centro da cidade de Lisboa. De 10 a 19 de Abril, o LisbonWeek decorre no bairro que inaugurou a existência de uma Lisboa moderna e na freguesia em que se insere, com um conjunto de iniciativas culturais e turísticas. A Biblioteca Nacional, o Hospital Júlio de Matos, o Museu Bordalo Pinheiro e a Torre do Tombo são alguns dos espaços que integram o extenso programa de um evento que já vai na 3ª edição.

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Visita guiada ao Museu Bordalo Pinheiro

O Museu Bordalo Pinheiro, hoje património da Câmara Municipal de Lisboa, dedica-se ao estudo e divulgação da obra de Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905), principalmente desenho e cerâmica. Aberto ao público em 1916, tem origem na colecção bordaliana reunida pelo poeta e panfletário Cruz Magalhães, grande admirador da obra de Bordalo.

Observador atento da realidade social, cultural e política em que viveu, Bordalo foi contando, através dos desenhos e caricaturas que publicou em vários jornais, a História de Portugal do final do século XIX. Toda a sua obra tem como principal característica um apurado sentido de humor que ainda hoje, mais de cem anos depois, continua a fazer-nos rir. A sua principal criação foi o Zé Povinho, personagem que representa de forma genérica o povo português, com a sua atitude de desconfiança e resistência passiva face aos poderes instituídos.

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Artista multifacetado, Bordalo Pinheiro fundou a Fábrica de Faiança das Caldas da Rainha, onde produziu cerâmica ornamental e azulejos de elevada qualidade – e onde não deixou de aplicar o seu requintado sentido de humor e de crítica social. Actualmente, o Museu Bordalo Pinheiro tem mais de 1200 peças de cerâmica, 3000 exemplares de originais (desenho e pintura), entre outras preciosidades, e dispõe de uma galeria para exposições temporárias relacionadas com diversos aspectos da obra de Bordalo, mostrando como a sua herança continua viva. O edifício onde está instalado recebeu uma menção honrosa do prémio Valmor em 1914, ano em que foi construído.

PREÇO: 7 EUROS

  • Sábado 11: 10h00 / 14h30 / 16h30
  • Domingo 12: 10h00 / 14h30 /16h30
  • Sexta-feira 17: 13h00 / 16h30
  • Sábado 18: 10h00 / 14h30 / 16h30
  • Domingo 19: 10h00 / 14h30 /16h30

Visita guiada ao Hospital Júlio de Matos

O projecto de criação do Hospital Júlio de Matos é uma história que prende qualquer um. Embora as primeiras plantas, assinadas pelo Prof. Júlio de Matos, pelo engenheiro D. Luiz de Melo e pelo arquitecto Leonel Gaia, datem de 1913, a sua construção estende-se ao longo de 30 anos.

Foi efectivamente Júlio de Matos (1856-1922), especializado em alienismo e psiquiatria forense, o grande promotor da fundação deste centro hospitalar, influenciado pela degradação do Hospital de Rilhafoles, o primeiro hospital psiquiátrico do país, onde em 1910 tinha sido assassinado Miguel Bombarda – que daria o nome ao hospital – e impulsionado pela doação do empresário António Higino Salgado de Araújo, que por ter passado uma temporada internado naquela unidade, deixava em testamento uma quantia destinada à criação de um novo pavilhão de observação de doentes.

As obras seguem com altos e baixos até à morte de Júlio de Matos, mas só em 1933 começa a segunda fase de execução do projecto, para a qual são chamados novos colaboradores, como o arquitecto Carlos Chambers Ramos e o engenheiro Leote Tavares. Caldeira Cabral e Azevedo Gomes ficam a cargo da organização paisagista, e nos equipamentos finais participaram o arquitecto Raul Lino e os engenheiros Jacôme Castro e Raul Maçãs Fernandes.

A partir de 1938 entra-se novamente num período de lentidão, mas a sobrelotação do Hospital Miguel Bombarda obriga à rápida abertura do hospital, pronto para receber 1.300 pessoas. Além disso, o testamento de Salgado de Araújo obrigava a que o Estado construísse o novo edifício antes de 1940. A 2 de Abril de 1942 inaugura finalmente o Hospital Júlio de Matos, que rapidamente se torna uma referência a nível internacional no estudo das doenças psiquiátricas.

PREÇO: 7 EUROS

  • Sábado 11: 11h00 / 15h00
  • Domingo 12: 11h00 / 15h00
  • Segunda-feira 13: 11h00 / 15h00
  • Sexta-feira 17: 11h00 / 17h00
  • Sábado 18: 11h00 / 15h00
  • Domingo 19: 11h00 / 15h00

Visita guiada à Torre do Tombo

O actual edifício da Torre do Tombo foi projectado pelo atelier do arquitecto Arsénio Cordeiro e inaugurado em 1990, destinando-se a receber o Arquivo Nacional da Torre do Tombo, cujo vasto espólio se encontrava desde 1757 no edifício do Mosteiro de São Bento da Saúde, hoje Palácio de São Bento. O novo arquivo herdou o nome da torre albarrã do Castelo de São Jorge, onde eram mantidos os documentos do reino desde pelo menos 1378, e até 1755. A imponente estrutura da Torre do Tombo, constituída por dois grandes paralelepípedos unidos por um corpo central, assenta sobre um largo embasamento que lhe confere a feição inexpugnável de uma fortaleza ou de um cofre-forte, num conjunto evocativo dos grandes monumentos históricos construídos para a eternidade, guardiães da memória coletiva.

O edifício pode albergar 140 quilómetros lineares de documentação, e inclui gabinetes técnicos, salas de leitura, auditório e sala de exposições. As fachadas principal e posterior são encimadas por oito gárgulas da autoria do escultor José Aurélio, representando elementos fundamentais da história da humanidade e da missão particular dos arquivos, no passado e no presente.

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A Torre do Tombo guarda mais de dez séculos de história documental portuguesa, incluindo documentos anteriores à fundação da nacionalidade e outros tão relevantes como a Bula Manifestis Probatum, considerada por muitos a «certidão de nascimento de Portugal», bem como a Carta de Pêro Vaz de Caminha, o Tratado de Tordesilhas e a coleção Corpo Cronológico, conjunto composto por cerca de 83 000 documentos, principalmente da época dos descobrimentos portugueses, considerados Memória do Mundo pela UNESCO. Aí estão igualmente mais de 36 mil processos do Tribunal do Santo Ofício, o Arquivo das polícias políticas, em particular da PVDE/PIDE/DGS, e os magníficos exemplares da Leitura Nova, códices iluminados que retratam a reforma do Estado Português durante o século XVI.

PREÇO: 7 EUROS

  • Sábado 11: 10h00
  • Segunda-feira 13: 10h00 / 14h30
  • Sexta-feira 17: 10h00 / 13h00
  • Sábado 18: 10h00

Visita cultural de autocarro à Lisboa Moderna

Com curadoria de Ana Tostões, esta visita de autocarro leva-te num passeio de 90 minutos por locais como a Praça de Londres, Bairro das Estacas, Edifícios Vává, Av. Brasil, Escola Bairro S. Miguel e Biblioteca Nacional de Portugal (aliás, é aqui o ponto de encontro).

PREÇO: 10 EUROS

  • Sábado 11: 14h30 / 17h00
  • Domingo 12: 10h00 / 14h30 / 17h00
  • Segunda-feira 13: 10h00 / 13h00 / 17h30
  • Sexta-feira 17: 10h00 / 13h00 / 17h30
  • Sábado 18: 10h00 / 14h30 / 17h00
  • Domingo 19: 10h00 / 14h30 / 17h00

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Visita cultural de autocarro Porfírio Pardal Monteiro

Esta rota é para quem já conhece relativamente bem Alvalade. Dedicado ao arquitecto lisboeta Porfírio Pardal Monteiro, o percurso foi preparado um familiar, também arquitecto, João Pardal Monteiro. Inclui: Biblioteca Nacional de Portugal, Reitoria da Universidade de Lisboa, Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Instituto Superior Técnico, Instituto Nacional de Estatística, estátua da Av. Antonio José de Almeida, Estação do Cais do Sodré, Hotel Ritz, Igreja Nossa Senhora de Fátima e Aula Magna.

O ponto de encontro é igualmente a Biblioteca Nacional de Portugal.

PREÇO: 10 EUROS

  • Sábado 11: 10h00 / 14h30 / 17h00
  • Domingo 12: 10h00 / 14h30 / 17h00
  • Segunda-feira 13: 10h00 / 13h00 / 17h30
  • Sexta-feira 17: 10h00 / 13h00 / 17h30
  • Sábado 18: 10h00 / 14h30 / 17h00
  • Domingo 19: 10h00 / 14h30 / 17h00

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Teatro E Morreram Felizes Para Sempre no Hospital Júlio de Matos

E Morreram Felizes Para Sempre combina um edifício no Hospital Júlio de Matos, dois marcos da História de Portugal e uma experiência labiríntica que desperta os sentidos e recompensa os mais curiosos.

É de noite. Imagine-se na sala de espera de um hospital psiquiátrico. Dão-lhe uma máscara cirúrgica e convidam-no a explorar o espaço. A decoração, a música ambiente, tudo à sua volta remete para os anos 40. De repente, depara-se com um médico a discutir com uma mulher. Eles não falam, mas dá para sentir uma forte tensão. Decide segui-los, até que chegam a uma Sala com um palco, onde todos dançam ao som da música. E assim começa a experiência…

A história é um cross over entre a tragédia amorosa de Pedro e Inês de Castro e a invenção da leucotomia, por Egas Moniz, o médico português nomeado ao Nobel num Congresso Internacional de Psicocirurgia, que decorreu no Júlio de Matos em 1948. As personagens movem-se sem palavras e vivem as cenas por meio de expressão dramática e corporal. Além da narrativa central, há salas secretas e momentos especiais que prometem suscitar emoções fortes.

PREÇO: 35 EUROS

  • De 10 a 19 de Abril
  • De 22 de Abril a 30 de Abril

Exposição Urban Sketchers

Provavelmente já viste, e admiraste, desenhos de muitos deles, mas talvez (ainda) não sabes quem são. É natural. Os Urban Sketchers são um colectivo de autores que desenham em diários gráficos as cidades onde vivem, os sítios por onde viajam, e que de vez em quando se encontram para desenhar “em conjunto”.

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Podem ser de qualquer lado, desde que sigam o manifesto, uma espécie de modus vivendi que diz coisas como “os nossos desenhos contam a história do que nos rodeia, os lugares onde vivemos e por onde viajamos”, “desenhamos insitu, no interior e no exterior, registando directamente o que observamos” ou “mostramos o mundo, um desenho de cada vez”.

Para o LisbonWeek, os Urban Sketchers captaram entre Janeiro e Fevereiro o ambiente, as cores e a vida do bairro de Alvalade, de Janeiro. Os registos “a papel e caneta” – vários desenhos, de muitas vezes – estão agora expostos na Reitoria da Universidade de Lisboa aka Aula Magna.

PREÇO: GRÁTIS

  • De segunda a sexta: das 10h00 às 19h00