The National celebram dez anos de ‘Alligator’


Para falar de Alligator, talvez o melhor seja começarmos pelo fim. A última música do disco – “Mr. November” – foi uma das bandeiras da candidatura de Barack Obama na sua primeira eleição para presidente dos Estados Unidos da América. Esta fama que os The National conquistaram foi arrancada a ferros depois de muitas tours, muitos discos e muitas músicas, mas o Alligator tem um papel essencial.

Porquê? Porque não sabemos até quando este é o caminho. A fórmula dos National de partilhar conteúdo e de tocar o máximo possível tudo o que lançam foi a melhor forma de conquistar terreno numa era de blogs, pitchforks e viralidades. E é por isso que Alligator não é o disco que tem uma música que Obama abraçou, mas tudo o que isso que representa para o sonho de qualquer músico, indie-rock ou não.

Afinal, saídos do Ohio e celebrados em Brooklyn, os The National tornaram-se uma das bandas mais quentes do circuito alternativo, contando entretanto com mais quatro álbuns do seu lado. Um sucesso alargado.

Alligator, apesar de não ter sido o primeiro disco do grupo, é nele que encontramos a pedra de roseta sónica da banda e algumas das melhores letras de Matt Berninger — vocalista e letrista do grupo. Porquê? Porque The National é uma equação única entre sentimento e música e em poucos discos deles há uma variedade tão grande de emoções como neste. “All the Wine” tem todo o alcoolismo de Matt lá escrito, “City Middle” tem todo o drama da grande cidade e “Daughters of the Soho Riots” tem o medo que temos no que vai ser o mundo da geração seguinte, no que vamos deixar de herança. Era mesmo coisa de banda que ainda não tinha chegado a rica.

É uma prova física do caminho que uma banda tinha de correr no século XXI aquando da ebulição do indie e da cena de Williamsburg. Uma década de suor e estrada até chegarem ao seu merecido pódio de músicos e se calhar era mesmo preciso tanto tempo para nos habituarmos a som tão melancólico, mas por vezes tão cortante. Para ouvirmos o que os The National são.

Depois veio o êxito tremendo de “Fake Empire” no álbum Boxer, os concertos esgotados e o estatuto de banda de culto. Mas primeiro veio mesmo o Alligator.