Adeus à lenda do blues


O “rei do blues”, B.B. King, morreu durante o sono aos 89 anos, na madrugada desta quinta-feira em Las Vegas, nos Estados Unidos, segundo a Associated Press revelou esta manhã. O guitarrista e cantor estava hospitalizado há duas semanas devido a problemas de desidratação associados à diabetes tipo II de que sofria desde 1980.

Riley Ben King nasceu em 1925 numa cabana no Mississipi e começou a sua carreira na música nos anos 40, a tocar em bares apenas para negros e em salões de baile. Os dois B’s significam Blues Boy, o seu nome de DJ em Memphis.

“Eu queria ligar a minha guitarra a emoções humanas”, escreve King na sua autobiografia, Blues All Around Me (1996), em co-autoria com David Ritz. E o resultado são músicas que influenciam artistas em todo o mundo.

Conhecido por hits como “My Lucille” (o nome das suas guitarras Gibson), “Sweet Sixteen”, “Everyday I Have the Blues”, “3 O’Clock Blues” e “Rock Me Baby” deixa para trás um legado de músicas inconfundíveis, mais de dez mil actuações ao vivo e 15 Grammy.

São mais de cinquenta discos em 60 anos de carreira, entre os quais se torna difícil escolher os seus maiores sucessos.

King transpirava musicalidade e dominava a guitarra como nenhum outro, chegando a ser comparado com o lugar de Louis Armstrong no mundo do jazz, segundo o historiador de blues Peter Guralnick disse ao Washington Post.

Colaborou com alguns dos mais importantes nomes do rock como Eric Clapton, George Harrison, Rolling Stones, David Gilmour, U2 ou Joe Cocker.

Em Portugal, actuou várias vezes e realizou um sonho de vida de Rui Veloso ao ser convidado do músico português em 1990, em dois concertos no Coliseu do Porto e no Casino do Estoril. Rui Veloso presta uma homenagem ao músico no seu Facebook. Esteve no Coliseu dos Recreios em 1996, na Praça Sony durante a Expo 98 e em 2010 deu um concerto único e gratuito em Sabrosa, Trás-os-Montes, perante mais de 20 mil pessoas.

Publicado por Rui Veloso Oficial em Sexta-feira, 15 de Maio de 2015

Lucille, o nome das suas guitarras, teve origem numa noite em que o músico tocava num baile onde, a dado momento, dois homens começaram a lutar, chegando a incendiar o recinto. No meio de tal confusão, conta-se que King correu para a sua guitarra, e lhe chamou Lucille, o nome da mulher que dera origem a esta luta.

Em baixo, um concerto de uma hora e vinte no Royal Albert Hall.

Em 1998, a revista norte-americana Rolling Stone calculou que o rei do blues passou mais de 65 anos na estrada, chegando a dar 300 concertos por ano até reduzir para 100 na última década. No total, terá subido ao palco mais de 15 mil vezes.

Segundo escreve o The New York Times, “Mr. King casou o country blues com ritmos da cidade e criou um som instantaneamente reconhecível por milhões: uma guitarra imponente com um vibrato trémulo, notas que giram e saltam como um animal e uma voz que rosna e se curva com o peso da luxúria, saudade e amor perdido.”

Infelizmente, The Thrill is Gone, mas a lenda do blues irá, certamente, perdurar. O rei está morto, mas inspirou artistas durante décadas e algumas das reações à sua morte já estão na Internet.