Talvez os Beatles não tenham sido assim tão revolucionários


Beatles
 
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A banda de Liverpool, Beatles, nasceu em 1960 e inspirou milhões de pessoas até aos dias de hoje. Êxitos como “Please Please Me” ou “I Want To Hold Your Hand” abriram caminho ao que dizem ter sido a revolução do pop. É atribuída aos Beatles uma disrupção musical tão marcante que se diz ter alterado todo o panorama de sonoridades para lá do Atlântico, nos Estados Unidos da América.

Não só aos Beatles se atribuem novos modelos musicais. Outras bandas inglesas como os Rolling Stones também são consideradas cruciais no descobrir de novas tendências. Dados recentes dão conta que tanto os Rolling Stones como  até mesmo os Beatles não foram pioneiros de qualquer nova tendência na atmosfera musical da altura. Foram então, como tantos outros, meros seguidores de estilos musicais e sonoridades já antes estabelecidos.

Uma investigação, levada a cabo por um grupo de académicos em Londres, estudou os padrões musicais pop entre 1960 e 2010 nos EUA. O método utilizado aquando do estudo foi a análise de dados. Permitia à equipa identificar quais os anos em que surgiram efetivamente novos modelos musicais e qual fora a sua duração.

Contrariamente ao que se pensou durante anos, não existe qualquer evidência musical (nem científica) que confirme a influência das bandas inglesas em qualquer inovação sonora. Nem tão pouco se comprova o seu papel determinante na revolução musical nos EUA. O estilo próprio de cada banda foi analisado com minúcia. Em diversos temas originais estudaram-se propriedades distintas, tais como as mudanças de acorde e de tom.

Matthias Mauch, da Queen Mary University of London, acredita que a pesquisa é diferente e verdadeiramente inovadora no modo como percebe a música. “Pela primeira vez é possível medir propriedades musicais em gravações de grande escala. Podemos ir além daquilo que os críticos de música afirmam, olhando diretamente para a música em si, medindo a sua composição, e entendendo que alterações existem”referiu.

Os investigadores da Queen Mary University of London e do Imperial College of London requisitaram a colaboração do site de música Last.fm. O site ajudou a conseguir mais dados e a realizar alguns métodos necessários como o processamento de sinal e ainda contribuíram no analisar das propriedades das músicas.

A investigação abre portas a todo um novo entendimento musical. O estudo revelou que nos anos posteriores existem evidências fascinantes. O hip-hop, precisamente em 1991, revelou-se como sendo o marco mais importante para a reinvenção musical em toda a história. Em relação à da música pop existem mais fatos que entram em desacordo com o pensamento que vigora atualmente. A ideia de que a música pop estava pouco diversificada na década de 80 não é firmada cientificamente. Os investigadores dizem que não há qualquer evidência clara da homogeneização do pop.

Mike Brocken, professor da Hope University, em Liverpool, não está convencido. “A música pop não pode ser medida desta forma – então a economia política, as subculturas? Os meus primeiros instintos são questionar qualquer estudo que use assim análises de dados.”

Brocken acrescentou: “Eu não acredito que qualquer tipo de análise formal da música possa ajudar em alguma coisa. Os Beatles comunicavam com as pessoas; não interessa se era através de um acorde A menor ou A maior. A abordagem semiótica é bem mais valorosa do que o tipo de acordes ou a  assinatura temporal.”

O professor aceita que os Beatles não são pioneiros nos estilos musicais que tocavam. Acredita, no entanto, que os novos factos não diminuem em nada a importância da banda no panorama musical mundial. “A grande parte dos entendidos em pop concordaria que os Beatles não eram assim tão inovadores – e isto não é uma crítica. Eles, como qualquer um de nós, ouviam todo o tipo de músicas para se inspirarem.”

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