Chancha Via Circuito, Al Lover, Branko e mais na piscina do Milhões de Festa 2015


A piscina Ginga Beat Red Bull Music Academy Radio abrirá as suas portas durante as tardes dos dias 24, 25 e 26 de Julho para actuações de Branko, Pista, LAmA e DJ sets de Chris Menist + Maft Sai. Mas há mais.

A piscina é, claro, um dos pontos altos do Milhões de Festa, assegurando a boa onda das tardes barcelenses durante o festival. Este ano, o palco Ginga Beat Red Bull Music Academy Radio voltará a ser o epicentro do ambiente estival do triângulo, de 24 a 26 de Julho, com actuações de Chancha Via Circuito, Al Lover e Branko, entre outras.

Com vários selos de qualidade a editar os seus registos, entre eles a nossa conhecida ZZK, o argentino Chancha Via Circuito deu o derradeiro salto na sua carreira com o último disco, “Amansará”, e com uma das suas músicas a entrar na banda sonora da série de culto Breaking Bad, tendo, agora, apontado a sua mira para a piscina de Barcelos. De São Francisco, por outro lado, virá Al Lover, mítico DJ do Austin Psych Fest e produtor de um inconfundível dance-drone a tresandar a hip-hop, capitulado no último álbum “Cave Ritual”; a contrastar com o norte-americano estará Branko, um dos mentores de Buraka Som Sistema e produtor e DJ dos melhores ritmos acid house de tendências africanas, do kuduro ao zouk.

Também acertados para musicar as tardes quentes da piscina Ginga Beat Red Bull Music Academy Radio estarão o rock quente dos Pista, a electrónica dos Yong Yong, as peças no teclado de LAmA (aka Shela, de If Lucy Fell e ex-PAUS), a pop distorcida dos noz, o baile moderno dos Tocha Pestana e o noise ambiental de MMMOOONNNOOO. Os finais de tarde serão assegurados por DJ sets de Chris Menist + Maft Sai (Paradise Bangkok) e Concorrência.

Chancha Via Circuito

Chancha Via Circuito não é uma novidade, admita-se. Parte do catálogo da já rodada no universo Milhões ZZK, com o mais recente Amansará o artista argentino firmou-se como um talento a seguir entre a emergente onda de electrónica vinda da América do Sul, tendo-se catapultado até à banda-sonora de Breaking Bad. Atravessando o Atlântico, Pedro Canales traz às margens do Cávado a mais justa e bela síntese da cultura latina a sul do Equador.

Al Lover

Al Lover não é um qualquer anónimo, nem tampouco um ilustre desconhecido. Vindo de São Francisco, Al Lover é “o gajo do Austin Psych Fest”, e, ao mesmo tempo, um beat-maker da linha clássica com uma abordagem psicotrópica que cruza elementos tão díspares de uma galáxia bem pequena, do soul, do hip-hop, ao garage e a tudo o que transpire alucinações. Aprimorada a arte do sampling, do looping e do editing, o norte-americano excede-se na composição/produção, que mais recentemente trouxe o mais recente longa-duração Cave Ritual, uma delícia para as sinapses.

Branko

Branko, enquanto produtor nos Buraka Som Sistema, é um dos principais responsáveis por toda a atenção que a música electrónica de Angola, ou lá enraizada, tem captado. A solo, o produtor e DJ lisboeta debruça-se sobre o acid house sempre com os ritmos africanos, do kuduro ao zouk, a ditar as direcção das suas incursões mais ácidas. Nos pratos, Branko trará o clima dos trópicos para uma tarde passada como nunca numa piscina: a dançar, dentro e fora de água.

Pista

Se algumas pessoas nos fazem torcer o nariz com camisas com ananases e cores berrantes, os Pista levam-nos a crer que não existe mais nenhuma indumentária no mundo. Cheios de pedalada, serão responsáveis por levantar os rabos mais preguiçosos das toalhas da piscina. E tudo isto só com muita estrada nas rodas e um longa-duração ainda por editar.

Chris Menist e Maft Sai

A explosão recente da cultura Thai, e a aposta imediata no molam por parte de editoras conceituadas como a Soundway, em muito se deve à dupla de DJs Chris Menist e Maft Sai, principais responsáveis pelos eventos Paradise Bangkok (e consequente formação da Molam International Band) no Japão, em diversas cidades europeias e, claro, na Tailândia. Poucos, como estes dois, estarão tão versados nos trópicos asiáticos e automaticamente aptos para criar o ambiente de piscina ideal.

LAMA

A solo, a personagem de João “Shela” Pereira cresce do casulo que cristalizou o seu nome, através de PAUS, Riding Pânico e If Lucy Fell, para LAmA. Quase num exercício de inspira-expira, Shela canaliza influência de Erik Satie, em delicadeza, e estende-a a texturas e modoluções, no registo que, inconfundivelmente, marcaria todas as bandas no seu percurso. Boiar na piscina vai ser elevado à levitação.

Noz

Noz surgiu em Barcelona, num exercício de experimentação que associou Bernardo Palmeirim, dono de um vasto CV em música, que se destacava com The Great Blues Band, à polirritmia incontrolável de Ricardo Martins (Lobster, Cangarra, Papaya). O resultado é o confronto entre a canção acústica e a manipulação electrónica, uma tensão capitalizada em “noz2”, lançado pela PAD. Em Barcelos, os noz vão sair da casca e ser imprevisíveis, como seria de esperar.

Yong Yong

Os Yong Yong elevam a fasquia da electrónica ambiente, retirando-o do pano de fundo para um drone hipnótico, cativante e de embalo evidente. Suaves, calmas, mas com uma ponderação certa, os ritmos contidos da dupla Rodolfo Brito e Francisco Silva, desenvolvem-se num groove desértico e dopado. Na calha trazem “Greatest It’s”, editado pela Night School em 2014.

Concorrência

Por entre a vontade de fazer Concorrência a um atelier de design ao fundo da sua rua e o desplante de elevar esse feito à deslealdade, fazendo promoção descarada com belos DJ sets, ficou claro que este colectivo de cinco DJs tem gosto refinado. Já andam nestas paradas há muito tempo, e, como qualquer equipa vencedora, mantêm a estratégia de sempre: musicar belas Festas.

Tocha Pestana

Para uma banda que se propõe a tocar “na discoteca, no baile de aldeia, no festival, ao ar livre, em sítios pequenos ou festas de casamento”, os TochaPestana são uma dupla de alto gabarito. Não deixem que a sua aparente humildade disfarce os derradeiros génios do baile popular moderno nacional. Como portugueses, estão, claro, automaticamente aptos para estar à borda de água (ou de uma piscina).

MMMOOONNNOOO

Porque nem tudo se pode, nem deve, resumir a música para ouvidos, temos MMMOOONNNOOO, uma abordagem de texturas através de loops e elementos electrónicos de baixas frequências. Depois de passar pelo mais recente Red Bull Music Academy Takeover – Boiler Room de Lisboa, Daniel Neves leva o seu noise às margens do Cávado e da piscina do Milhões de Festa, numa abordagem ambiental que despertar os sentidos.