Descoberta importante para a compreensão do envelhecimento


 

Chegam boas notícias dos Estados Unidos. Os cientistas do Salk Institute (EUA) e da Chinese Academy of Shience (China) descobriram que a mutação genética que está directamente relacionada com a síndrome de Werner resulta da deterioração ou desorganização de parte da estrutura do DNA conhecida como heterocromatina. A descoberta adivinha-se determinante e representa mais um passo na descodificação do processo de degeneração celular.

Através da prevenção de danos na heterocromatina, ou do reparo da sua estrutura, será possível trilhar caminhos ao encontro da cura de patologias associadas ao declínio fisiológico, agudo ou crónico. Será assim possível desenvolver métodos de prevenção ou de tratamento em doenças relacionadas com a idade, como cancro, diabetes ou até Alzheimer. A descoberta representa um avanço crucial na eterna luta contra o envelhecimento.

“A nossa pesquisa mostra que a mutação genética que causa a síndrome de Werner resulta da desorganização da heterocromatina, e essa alteração da estrutura normal do DNA é a chave do processo de envelhecimento”, referiu Juan Carlos Izpisua Belmonte, líder sénior na investigação, à ScienceDaily. “As implicações da pesquisa ultrapassam em muito a síndrome de Werner. Identificámos o ponto central do processo de envelhecimento: desorganização da heterocromatina. Esta alteração parece ser reversível.”

Quando a velhice chega cedo, demasiado cedo…

A síndrome de Werner (WS) surge entre os 20 e os 30 anos. A doença tem uma prevalência que ronda os 1/200.000 pessoas nos países ocidentais, nos orientais a prevalência desta desordem genética é maior, cerca de 1/50.000 pessoas. A síndrome está assim no painel de doenças raras.

A WS é caracterizada pelo envelhecimento prematuro e aparecimento de inúmeras patologias associadas à terceira idade: cataratas bilaterais, perda de cabelo, declínio cognitivo, perda de massa muscular, alterações cutâneas, diabetes tipo II…

A doença é herdada recessivamente e não tem, até à data, cura. A esperança de vida para estes indivíduos é reduzida, a maioria sucumbe à doença entre os 40 e os 50 anos de idade.

A WS é causada por uma mutação do gene WRN. O WRN é responsável pelo funcionamento de uma proteína específica que mantém a integridade da estrutura da heterocromatina e, consequentemente do DNA. As pessoas com WS apresentam mutações ao nível desta proteína, o que resulta na não expressão de determinados genes e interrompe ainda a replicação do DNA.

Não era claro, até agora, como a proteína intervinha em processos tão cruciais ao nível do código básico humano. Em Salk, foram criadas de raiz células com mutações no gene WRN. O feito foi possível graças à combinação de tecnologias de ponta aplicadas a métodos de edição genética e também a células estaminais. O que constataram posteriormente foi decisivo. As células envelheciam de facto a uma velocidade bastante superior à normal.

“O nosso estudo faz a ponte entre a síndrome de Werner, o gene WRN e a desorganização da heterocromatina”, contou Izpisua Belmonte à ScienceDaily. “Isto sugere que alterações na estrutura da heterocromatina podem ser a causa do envelhecimento celular. Levanta-se agora a premissa de ser possível reverter estas alterações, como quando se faz a remodelação de uma casa ou mesmo de um carro velho, para assim reverter doenças relacionadas com a idade.”

Izpisua Belmonte acrescenta também que são ainda necessárias mais pesquisas, estudos mais amplos, para que se possa compreender na totalidade o papel da heterocromatina no envelhecimento. A equipa de investigação contínua a braços com a problemática do envelhecimento, e para isso trabalha arduamente no desenvolvimento de tecnologias de edição epigenética, importantes para conseguir uma percepção maior de todo o processo e de todos os seus intervenientes. 

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