6 discos essenciais de Chet Baker

Poucos músicos devem ter sido tão apelidados de génio como ele.

 
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Chet Baker. Poucos músicos devem ter sido tão apelidados de génio como ele. E não só por ter passado de menino lindo para adulto estragado pela adição, embora isso tenha contribuído para a sua fama. Isso e as parecenças com James Dean. Um rapaz do Oklahoma que tocou trompete tão bem, mas tão bem, que se tornou num dos melhores trompetistas de sempre.

O próprio Charlie Parker escolheu-o para a sua banda e não devem existir elogios muito maiores que esse no jazz. Este é o artigo em que te levamos aos nossos locais favoritos de uma discografia tão grande que pode intimidar até quem a queira muito explorar. No aniversário do seu falecimento, temos a certeza de que Chet só vai morrer quando deixarmos de o ouvir.

 

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Chet Baker & Art Pepper: Playboys (1956)

Um disco que perdeu a sua icónica capa num ataque de pânico em que a editora julgou que ia ser processada pela revista, o album voltou a ter todo o seu estilo pin-up nos anos noventa quando foi relançado. Num disco em que os protagonistas são o saxofone de Pepper e o trompete de Baker, ouvimos solos que brincam em harmonia ao longo de músicas que são agradáveis e quase sempre bem dispostas. Um disco ideal para os fãs acérrimos do bop, mas também para os iniciantes do jazz.

 

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Live in Tokyo (1987)

Quando ouvimos falar quem conhecia Chet, quem tocou com ele, quem o ouvia tocar, não é raro surgir um elogio ao seu ouvido. Aliás, mesmo tendo começado a estudar Teoria Musical, nem há certezas de que ele lesse pautas. E tudo isso era por causa do raro ouvido que tinha e que brilha neste Live in Tokyo. Porque para tocar assim, com solos em jeito de disrupção e harmonias infinitamente diferentes de cada vez que eram tocadas, não era preciso só saber tocar. Era precio ouvir o que mais ninguém ouvia.

 

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My Funny Valentine (1994)

Descobrir as melhores faixas de um músico tão produtivo como Chet – mesmo com o seu hiato devido ao consume de estupefacientes e outros incidentes – parece ser uma missão impossível. E é por isso mesmo que recomendamos My Funny Valentine, um disco de belíssimas faixas onde encontramos o lado virtuoso da seu trompete, o lado romântico e, claro, a sua belíssima voz.

 

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The Italian Sessions (1996)

Itália trouxe coisas boas e coisas más à vida de Chet Baker. Se por um lado foi lá que passou mais de um ano na prisão no início dos anos 60, foi também de lá que nos chegou este The Italian Sessions, inicialmente editado como “Chet is back!”. Acompanhado por um sexteto europeu, Chet mostrou ao mundo que o seu sopro ia bem para além da melancolia. Naquele dia, em Roma, Chet levou a mestria dos seus improvisos a níveis e notas que muitos ainda duvidavam que fosse capaz.

 

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Sings (1998)

Apesar de só ter recebido um Grammy de 2001 por ser um disco de Hall of Fame, este foi um dos discos mais acarinhados do músico, afinal, quem é que tem uma voz assim quando já é um génio do trompete? Saiu em 1956 sem qualquer faixa original, apenas versões cantadas de êxitos jazz em que sua voz encantava tudo e todos. Sobreviveu ao teste do tempo e continua a ser aplaudido com um disco clássico do estilo.

 

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Blues for a Reason (2011)

Foi em 1984 que Chet Baker se encontrou com o saxofonista Warne Marsh para uma sessão de estúdio completamente fora do seu estilo. Os solos são mais rápidos, as notas mais velozes e, em vários momentos do disco, a velocidade é tanta que se torna impressionante. Este disco, que devido à distribuição limitada acabou por nunca explodir, ainda nos reserva belas baladas. Não deixa de ser irónico que enquanto o consumo de droga ia encolhendo a vida de Chet, a sua música ficava cada vez mais expansiva.

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!