Jon Oliver desconstrói o sistema de testes padronizados americano

No episódio desta semana do Last Week with Jon Oliver, a análise recai sobre o sistema dos testes padronizados. 

 

No episódio desta semana do Last Week with Jon Oliver, a análise recai sobre o sistema dos testes padronizados. Os estudantes americanos enfrentam uma quantidade absurda de testes e pais e professores consideram que tanto os alunos como os professores perdem demasiado tempo a preparar-se para esta série de avaliações. Por isso, muitos juntaram-se num movimento “opt out”, recusando-se a tomar parte nesta avaliação.

Em vez de ensinarem os alunos a desenvolver formas de escrita próprias, os professores dedicam-se a ensiná-los para os testes padronizados.

John Oliver foca-se na Pearson, uma multinacional inglesa que administra cerca de 100 milhões de testes no mundo inteiro, segundo a Quartz. O humorista compara a Pearson a uma má empresa de televisão por cabo, porque das duas uma: ou não a conheces e não queres saber, ou ela estragou-te a vida.

Neste vídeo, Jon Oliver mostra várias situações em que os testes padronizados são representados de forma alegre pelas escolas, através de músicas como a Poker Face de Lady Gaga adaptada para “Can’t read my / Can’t read my / Test taker face” ou de uma mascote  de um macaco numa escola no Texas.

A Pearson procura avaliadores qualificados através de anúncios na Craigslist, uma rede de comunidades online centralizadas que permite aos seus usuários fazerem anúncios gratuitamente. Este método, apesar de usado pela Pearson, não será o mais correcto para contratar avaliadores qualificados de exames numa multinacional que é considerada a maior empresa de educação.

Para além disso, os avaliadores são ensinados a avaliar, passando por um rigoroso sistema de ingressão e de treino.

O sistema de avaliação americano é dividido em avaliação formativa e avaliação sumativa. A avaliação formativa é sinónimo de feedback, de forma a guiar o aluno e o professor, enquanto que a avaliação sumativa pretende agrupar todo o teu conhecimento num dia. Isto é, o teste, o trabalho, a apresentação, o exame… E a avaliação sumativa baseia-se no sistema de testes  validados e padronizados segundo psicometria. O objectivo é “medir” a componente psicológica e  é, basicamente, uma medida estatística, o que significa que é, no fundo, matemática. Um dos instrumentos da psicometria é uma curva em forma de sino.

Um teste deste tipo, escrito por especialistas em estatística, requer muito tempo passado em padronização e fiabilidade. A fiabilidade significa que se o mesmo teste for entregue à mesma pessoa em ocasiões diferentes, os seus resultados não devem mudar muito. A padronização diz respeito a que, perante um público alargado, os resultados dos testes devem corresponder a uma distribuição expectável, isto é, representada através da tal curva em forma de sino.

Estas regras são a razão pela qual 4 milhões de alunos nos Estados Unidos da América estão a ter testes extra este ano: não para sua própria prática mas para testar os testes em si. A fiabilidade e padronização dos testes tem que ser definida através destes testes.

O facto de testes psicométricos terem raízes históricas, bases matemáticas precisas e serem aplicáveis a um grande número de pessoas pode ser uma vantagem e uma desvantagem.

Ao serem testes fiáveis, significa que não mudam muito de ano para ano, o que facilita o seu ensino. De forma a evitar a ambiguidade, são feitas perguntas de escolha múltipla, mas esse sistema não funciona facilmente a medir capacidades humanas como a criatividade, a comunicação, a capacidade de resolver problemas, a liderança e o espírito de equipa… Entre outras.

A reacção da Pearson foi positiva, os seus posts no Twitter escrevem que os testes são apenas uma parte da avaliação dos alunos e que os seus testes serão melhorados através do aumento do número de dados.

Embora os testes padronizados sejam um tema demasiado complexo para ser perfeitamente explicado num vídeo de 18 minutos, Jon Oliver aponta para uma maior responsabilidade do governo e das empresas de testes. No fundo, segundo as palavras de Oliver, “este é um sistema que tem enriquecido múltiplas empresas e que paga e demite professores baseado numa fórmula semelhante aos partos de gado, confunde crianças com ananases que falam e tem o mesmo tipo de regras no que diz respeito à transparência que o Brad Pitt tem no Fight Club”.

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