O que esperar do Google I/O 2015?


A Microsoft e o Facebook já tiveram a sua oportunidade. A Apple vai tê-la na próxima semana. Agora é a vez da Google nos mostrar ao público novidades e de convencer os programadores a criar apps com a sua plataforma e serviços.

O Google I/O 2015, o maior evento da Google do ano, arranca já amanhã em São Francisco e, apesar de durar dois dias, o primeiro deles é o mais importante. Vai ser às 17h30 que Sundar Pichai, vice-presidente de produtos, subirá ao palco do Moscow Center para conduzir a apresentação de todas as novidades da empresa.

Em jeito de antecipação, o Shifter diz-te o que esperar do Google I/O 2015.

A sentença de morte do Google+ vai ser lida

Quando o lançou em 2011, a Google queria que o Google+ fosse a algum lado, mas, apesar de ter captado interessa inicial entre os internautas, a rede social não conseguiu vingar num mercado dominado pelo Facebook e onde o Twitter tenta crescer.

Em Março, no MWC 2015, que o Shifter acompanhou em directo, Sundar Pichai confirmou o fim do Google+ e a sua divisão em três produtos independentes: as fotos do Google+ vão ser Google Photos e as mensagens passarão a Google Hangouts. O resto do Google+ (os perfis, as páginas, os círculos e os feeds) vai mudar de nome para Google Streams.

O Google Photos vai ser nova plataforma para os utilizadores armazenarem, organizarem e editarem as suas fotos, bem como para as partilharem nas redes sociais Facebook e Twitter. Disponível na web e em apps móveis, o Google Photos vai competir directamente com soluções como o Flickr ou a Dropbox ou mesmo o Apple Photos.

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Desde Março até hoje, não vimos qualquer alteração ao Google+, mas pressupomos que a Google esteja a guardar tudo para este I/O.

É esperar pela leitura da sentença de morte da rede social amanhã.

Android M

A Google identifica as versões do Android por uma letra do alfabeto. E se no ano passado tivemos direito ao Android L – que mais tarde veio a chamar-se Lollipop –, este ano de vamos assistir à revelação do Android M. Milkshake, M&M? A Google não deverá revelar o nome na conferência, só no Outono, tal como fez em 2014.

O Android M deverá trazer suporte nativo para leitores de impressão digital, uma tecnologia que a fabricante Samsung adoptou desde o seu Galaxy S5 e que a Google esteve quase para introduzir no seu Nexus 6. Só não o fez por alegadamente o produto não estar pronto.

Android Wear para iOS

Algumas fontes indicam que Google tem estado a trabalhar na integração do seu sistema operativo para wearables, o Android Wear, com o iOS. Na prática, se tal acontecer, vamos poder controlar um Moto 360, por exemplo, com o nosso iPhone.

Não é certo se o Android Wear para iOS vai mesmo avançar, até pela política apertada da Apple, que quer proteger o seu ecossistema.

Android Pay

A Google está a desenvolver um sistema de pagamentos chamado Android Pay, que não vai ser propriamente um produto para o consumidor final, mas sim uma API que as empresas podem implementar nos seus produtos e serviços. “Estamos a desenvolver o Android Pay de forma a permitir que qualquer outra pessoa possa desenvolver um sistema de pagamentos em cima do Android”, referiu Sundar Pichai no MWC 2015.

O executivo não detalhou, na altura, o Android Pay, mas disse que a ideia é que esta API seja o mais abrangente possível: a empresa vai começar pela tecnologia NFC, mas o Android Pay poderá suportar também sensores biométricos.

Mas será que o Android Pay vai ser mais qualquer coisa para além de uma simples API?

Numa altura em que o mercado de pagamentos mobile está cada vez mais agressivo, com players como a Apple, a Samsung e o PayPal, a Google parecer querer reconquistar a corrida na qual está atrasado, mesmo tendo lançado em 2011 o Google Wallet.

Glass, Cardboard e novas realidades

No início do ano, ficámos a saber que a Google ia repensar e conceber do zero o Google Glass, depois de admitir o falhanço comercial do produto. Tony Fadell, o chefe da Nest e o pai do iPod, é o líder desta nova etapa dos óculos da Google. Veremos uma versão 2.0 do produto de realidade aumentada neste I/O?

Por outro lado, a Google parece interessada na realidade virtual. Quando apresentou o Cardboard no ano passado, o produto, feito em cartão, mais parecia uma brincadeira. Mas a recente mudança de Jon Wiley, antigo líder do design do Search, para a equipa do Cardboard pode ter sido um indicador de que a empresa quer mesmo apostar na realidade virtual e que o Cardboard foi, provavelmente, apenas um primeiro teste ao mercado. Teremos novidades no I/O?

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Android para tudo. Mesmo tudo

Depois dos telemóveis, dos relógios, dos carros e das TVs, a próxima conquista do Android podem ser os electrodomésticos lá de casa. A Google e a sua Nest estão alegadamente a trabalhar num software open-source para conectar à Internet o conjunto de periféricos de uma casa, como pequenos electrodomésticos e também electrodomésticos maiores.

Esta é a lógica do Internet of Things, uma tendência que está em crescimento no mercado tecnológico, à medida que as grandes empresas estão a criar soluções para ligar todos os aparelhos de uma habituação à grande rede, tornando-os mais inteligentes. Se se confirmar, o Android em electrodomésticos pode ser mais uma resposta ao HomeKit da Apple.

Por outro lado, poderá ser a confirmação do Android como o principal sistema operativo da Google. A empresa pode mesmo vir a relançar o Chrome OS como um novo Android.