Os portugueses em Cannes


 
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Manoel de Oliveira, Miguel Gomes e Susana Nobre em Cannes. São estes os três nomes que vão representar Portugal na edição deste ano do aclamado Festival de Cinema, a realizar-se de hoje a 24 de Maio. No entanto, nenhuma das três produções estará em competição. O filme de Manoel de Oliveira será mostrado em forma de tributo, enquanto que Miguel Gomes e Susana Nobre apresentam as suas obras na Quinzena dos Realizadores.

O realizador Manoel de Oliveira estreou mais de uma dezena de filmes em Cannes e recebeu um prémio de carreira em 2008. O festival francês presta-lhe agora homenagem, exibindo, no dia 21, Visita ou Memórias e Confissões, que teve a sua estreia mundial no Porto, e que só poderia ser exibido após o seu falecimento, por vontade do cineasta.

Os volumes “O Inquieto”, “O Desolado” e “O Encantado”, que compõem As 1001 Noites de Miguel Gomes, vão estar presentes na Quinzena dos Realizadores e serão exibidos nos dias 16, 18 e 20 de Maio, respectivamente. Miguel Gomes traça a história de um país mergulhado numa crise económica, em austeridade e desemprego, e junta-lhes a fantasia dos contos populares árabes de As Mil e Uma Noites, narrados pela rainha persa Sherazade.

Já a curta-metragem de ficção, Provas, Exorcismos de Susana Nobre, conta a história de Óscar Germano, um operário que se vê confrontado com o encerramento da fábrica onde trabalhou durante 25 anos, em Alhandra, e que procura um novo emprego. O filme mostra os rituais quotidianos da vida da casa, do trabalho, numa localidade onde a paisagem é marcada pelo rio, a serra, a fábrica e a linha do comboio.

O Festival de Cannes abre com o filme La Tête Haute, de Emmanuelle Bercot, e são dezanove os filmes que estão em competição pela Palme d’Or. O júri é presidido pelos irmãos Joel e Ethan Coen e conta ainda, entre outros nomes, com Guillermo del Toro e Xavier Dolan.

A edição deste ano do Festival de Cinema de Cannes vai ter alguns momentos importantes, como a recordação de Ingrid Bergman e Orson Welles pelo centenário do nascimento de ambos, e a celebração dos 120 anos do nascimento do cinema (a contar das primeiras projeções dos irmãos Lumière).

Por fim, a realizadora belga Agnès Varda, de 86 anos, será homenageada e receberá a Palme d’Or de honra, pela sua longa carreira ligada ao cinema e pelo seu contributo para a Nouvelle Vague do cinema francês; vai tornar-se a primeira a mulher a receber este prémio.

O Festival de Cinema de Cannes decorre até dia 24.

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!