Vhils criou arte do caos


O objectivo era homenagear a tribo Guaraní do Brasil. Num ensaio sobre a globalização, Alexandre Farto – aka Vhils – esteve em Araçaí para ajudar a manter a tradição, depois de cerca de 90 pessoas terem sido deslocadas das suas terras ancestrais e realojadas nessa vila indígena brasileira.

A experiência foi documentada por André Santos, num vídeo intimista que pretende mostrar uma comunidade esquecida e obrigada a aceitar a mudança. É o próprio Vhils quem reconhece que o mundo cada vez mais globalizado em que vivemos nos deu muito “mas ao mesmo tempo estamos a perder aquilo que nos faz diferentes e especiais e em cada ponto do mundo.”

Se arte é contributo, Vhils imortalizou 90 membros da comunidade Guaraní nas portas e paredes das suas casas: “Quando trabalhas numa parede, a matéria dessa parede influencia todas as pessoas que vivem nesse espaço. É quase como se estivesses a tocar na matéria que afecta e faz as pessoas serem o que são.”

Os cinco minutos de vídeo são narrados por Alexandre Farto, com reflexões sobre o seu trabalho e sobre o projecto Incisão. No final, assume que quis dar voz à comunidade indígena de Araçaí numa fase em que tentam manter os seus costumes num mundo cada vez mais uniformizado “que pouco espaço tem para modos alternativos de vida.” 

O vídeo foi divulgado esta semana pelo site norte-americano Nowness, mas o projecto resultou numa exposição que esteve na Caixa Cultural do Recife de Novembro do ano passado a Janeiro deste ano.