‘As 1001 Noites’, de Miguel Gomes, na abertura do 23º Curtas Vila do Conde


As 1001 Noites, de Miguel Gomes, será o filme de abertura da 23ª edição do festival internacional de cinema Curtas Vila do Conde, que arranca a 4 de Julho. O filme, composto por três volumes, somou elogios na estreia mundial durante o Festival de Cannes e será apresentado em Vila do Conde em antestreia nacional.

As 1001 Noites é um fresco sobre o Portugal contemporâneo e as contradições provocadas pela crise económica, através de uma estrutura épica que adapta a clássica história de Xerazade em 3 volumes independentes: “O Inquieto”, “O Desolado” e “O Encantado”, num total de 6 horas de filme.

A primeira parte, “O Inquieto”, dá conta das inquietantes maldições que se abatem sobre o país, em crise, habitado por ricos e pobres, poderosos e insignificantes, trabalhadores e desempregados, ladrões e homens honestos. No segundo volume, Xerazade narra como a desolação invadiu os homens; e, na última parte, “O Encantado”, a narradora duvida que ainda consiga contar histórias que agradem ao rei.

O elenco de As 1001 Noites conta com importantes nomes do cinema português como Crista Alfaiate, Luíza Cruz, Américo Silva, Adriano Luz, Gonçalo Waddington, Joana de Verona, Teresa Madruga, João Pedro Bénard, Carloto Cotta e Rogério Samora.

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A obra teve estreia mundial na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes onde foi recebida com grande entusiasmo pela imprensa internacional. O filme ocupou a primeira página do  jornal francês Liberátion, onde foi descrito como “épico”. Já o Le Monde considerou a longa-metragem “uma epopeia fantástica, uma canção de amor aos derrotados da História, que são os portugueses de uma Europa em crise”.

A longa-metragem, rodada em película, é uma co-produção entre Portugal, França, Alemanha e Suíça, e deverá estrear nos cinemas portugueses entre Agosto e Setembro. Com produção de Luís Urbano e Sandro Aguilar, através da produtora O Som e a Fúria, As 1001 Noites é um dos projetos cinematográficos mais ambiciosos do cinema português dos últimos tempos.

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Miguel Gomes é um dos nomes centrais na história do Curtas Vila do Conde, que exibiu grande parte da filmografia do cineasta. A sua primeira curta-metragem, Entretanto, foi apresentada na edição de 1999 do Festival, onde foi distinguida com os Prémios de Melhor Realizador e de Melhor Fotografia. Mais tarde, em 2002, Miguel Gomes recebeu uma menção honrosa em Vila do Conde com a curta 31, tendo vencido, em 2006, a competição nacional com Cântico das Criaturas.

Pelo Curtas Vila do Conde passaram ainda os filmes O Inventário de Natal, Kalkitos (resultado de uma encomenda do Festival ao realizador), Aquele Querido Mês de Agosto e, em 2014, Pre-Evolution Soccer’s One Minute Dance After a Golden Goal in The Master League.

Nascido em Lisboa, em 1972, Miguel Gomes estudou Cinema e trabalhou como crítico para a imprensa portuguesa até ao ano 2000. O cineasta faz parte, juntamente com outros realizadores portugueses, da denominada “Geração Curtas”, um momento central da história do cinema português contemporâneo, na transição de século, que abriu as portas a uma nova geração de cineastas muito jovens e que são a cara do cinema português de hoje. O realizador desde cedo mostrou a sua iconoclastia, reinventando-se a si mesmo em cada filme novo e forjando um método de trabalho coletivo, atento às imprevisibilidades da rodagem. Esse método foi apurado e é uma das mais visíveis características de As 1001 Noites.

O Curtas Vila do Conde tem o apoio da Câmara Municipal de Vila do Conde, do Secretário de Estado da Cultura, do Instituto do Cinema e Audiovisual, do programa MEDIA/Europa Criativa e de vários parceiros imprescindíveis à realização do Festival.

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