Como Copenhaga se tornou um paraíso de bicicletas ao considerar o custo dos carros


Este artigo é gratuito como todos os artigos no Shifter.
Se consideras apoiar o nosso trabalho, contribui aqui.

É-nos fácil assegurar que uma bicicleta é com certeza menos poluente que um carro. É também fácil de perceber que os acidentes de carro acarretam, por norma, um dano físico e financeiro em tudo superiores aos de um sinistro de bicicleta.

Todos estes (e outros) pensamentos óbvios foram desmembrados e transformados com o fim a energizar uma cidade mais verde, mais segura e mais consciente das necessidades dos seus habitantes.  Copenhaga é socialmente eficiente no assunto – calcula todos os custos sociais envolvidos aquando da utilização de carros e de bicicletas. Como resultado temos uma cidade rasgada de ciclovias.

No recente estudo de Stefan Gossling, Universidade de Lund, e Andy Choi, Universidade de Queensland, percebemos que Copenhaga tem uma estrutura perfeitamente dedicada à pratica do ciclismo. São quilómetros e quilómetros de ciclovias, inninterruptas, que se adensam na cidade e desagoam em pontes, túneis e semáforos pensados também sob o mote do ciclismo.

Sempre que a cidade se depara com a necessidade de um novo projecto de transporte,  de estradas ou vias, o procedimento é o mesmo: calcular em termos financeiros, práticos e claro está, sociais, qual a resposta globalmente mais vantajosa. O custo da via, o custo financeiro e social dos sinistros, o impacto da poluição automóvel na saúde da atmosfera da própria cidade, tudo é esmiuçado e pensado à priori para que a concretização real do projecto alimente a eficiência de Copenhaga.

Gossling, responsável pelo estudo, diz que o que nós aprendemos com o exemplo dinamarquês prende-se sobretudo com o efectivar dos lucros financeiros e sociais. “É melhor para a sociedade perceber as necessidades das pessoas de ângulos diferentes”,  disse Gossling, aquando de uma entrevista.

O estudo de Choi e Gossling vai mais longe e analisa, para além dos benefícios socias, os benefícios pessoais das ciclovias, como o impacto do ruído e da poluição sobre a qualidade de vida das pessoas. Se pensarmos em relação à dicotomia benefício pessoal/custo e compararmos os meios bicicleta e carro temos um custo de 9 cênt/km no primeiro caso e 57 cênt/km no segundo.

Copenhaga adivinha-se assim uma cidade mais verde e urbana. A sua identidade cultural amplifica-se continuamente enquanto a duplicidade do seu “título” de capital é enriquecida com o desenvolver de valores sociais ligados à pratica do desporto e da preservação ambiental.

(foto: Flickr)

Investimos diariamente em artigos como este.
Precisamos do teu investimento para poder continuar.