Descoberto o primeiro sensor magnético numa espécie animal


Caretta Caretta é o nome científico da comumente designada tartaruga mestiça. Esta espécie animal, à semelhança de tantas outras que habitam a Terra, tem a extraordinária capacidade de descrever o seu percurso migratório (cerca de 14 mil quilómetros) com uma precisão deveras impressionante, sem nunca se desviar da direcção correcta.

Sempre foi certo entre os cientistas e biólogos que determinadas espécies animais conseguem instintivamente orientar-se através do campo magnético terrestre, funcionando como verdadeiras bússolas biológicas. O modo concreto como o fazem sempre foi motivo de especulação e investigação e não era ainda completamente compreendido.

Agora, graças ao estudo publicado na revista académica eLife, podemos perceber quais as estruturas físicas que capacitam alguns animais com este sexto-sentido: sensibilidade magnética.

A Caenorhabditis Elegans foi a primeira espécie animal onde os cientistas localizaram, de facto, um sensor magnético. O sensor foi então encontrado no cérebro da espécie de minhocas, mais precisamente na extremidade de um neurónio. Assemelha-se, no fundo, a uma microscópica antena, e é utilizado para que a Caenorhabditis Elegans se desloque no interior do solo.

sensormagneticoanimal_02

Os cientistas da Universidade de Austin (Texas) acreditam que o sensor encontrado nas minhocas também é passível se ser encontrado em outros animais que cumpram tarefas de orientação complexas como migrações ou deslocações territoriais. Pássaros e tartarugas-marinhas são bons exemplos.

“É provável que a mesma estrutura seja utilizada por outros animais como borboletas e pássaros.” Quem o diz é Jon Pierce-Shimomura, académico na Faculdade de Ciências Naturais de Austin e membro da equipa de investigação. O investigador referiu ainda que a descoberta “dá-nos uma base para a compreensão da magnetorecepção em outros animais”.