O ‘FIFA 16’ vai ser jogado também no feminino


Pela primeira vez, o videojogo/simulador de futebol da EA Sports contará com equipas femininas. Com data prevista para 25 de Setembro, o FIFA 16 vai ter 12 selecções internacionais femininas que podem jogar – apenas entre si – em muitos modos, como o Kick Off, o Offline Tournament e o Online Friendlies Matches.

Quais são estas 12 selecções? Brasil, Alemanha, EUA, França, Suécia, Inglaterra, Canadá, Austrália, Espanha, China, Itália e México. O FIFA 16 será disponibilizado em versões para PC, PS4, Xbox One, PS3 e Xbox 360.

“Trazer algumas das melhores jogadoras e equipas femininas do mundo para o nosso franchise é um acontecimento muito significativo para a EA Sports, e estamos igualmente entusiasmados com a hipótese de trazer a milhões de fãs uma nova forma de jogar”, afirma David Rutter, vice-presidente e director geral da EA Sports em comunicado de imprensa.

Rutter acredita que os fãs do FIFA 16 “vão ter uma experiência realista ao jogar com as selecções femininas” devido às “ferramentas inovadoras de captação e referência dos movimentos das jogadoras” em que a EA Sports apostou.

Na verdade, a empresa procurou retratar, com o máximo detalhe, expressões faciais e movimentos corporais de cada uma das jogadoras incluídas no jogo. Para garantir o máximo realismo possível, a EA Sports analisou, em 360º, o corpo e os movimentos de algumas jogadores do Canadá e dos EUA, e replicou posteriormente as referências obtidas no desenvolvimento de novos modelos de jogadores. A empresa também percorreu alguns jogos e competições à volta do mundo para capturar aspectos faciais, como o movimento do cabelo. Os jogadores vão aparecer e mover-se no campo do FIFA 16 tal como aparecem e se movem nos estádios reais.

Mas por que motivo as equipas femininas não chegaram mais cedo ao FIFA? Em entrevista ao The Guardian, David Rutter justifica a ausência com desafios técnicos que a equipa de desenvolvimento do jogo teve de superar. “Precisávamos ter as ferramentas e a tecnologia correctas, que pudessem diferenciar homens e mulheres. Além disso, tinhamos de ter em conta o tempo e esforço necessários para viajar à volta do mundo para capturar rostos, cabeças, movimentos, etc. Tem estado na nossa lista de tarefas há tempos”, explicou.

“A grande mudança que tivemos de fazer foi reconstruir a plataforma de animação, para que o esqueleto de cada jogador trabalhasse com diferentes proporções”, disse Rutter ao jornal britânico. “O nosso sistema de animação era baseado na altura e na constituição física. Em vez de alterar a porporção entre a articulação e o osso, era como que esticar uma pastilha elástica. Agora tivémos de implementar um novo sistema que permite que as ancas se mexam e ainda que os ombros se movam verticalmente. A largura dos ossos e articulações também foi um factor importante. É uma grande mudança.”

O desenvolvimento de uma nova tecnologia para a leitura do corpo feminino veio beneficiar a construção de jogadores masculinos. “O efeito secundário disto é que agora temos esqueletos escaláveis, pelo que podemos suportar diferentes tipos de corpo na parte masculina do jogo”, observou o vice-presidente da EA Sports. “Muitas atletas têm cabelo longo, então tivémos de nos concentrar neste elemento também. Isto permite-nos melhorar a aparência de jogadores do sexo masculino com penteados similares.”

O FIFA 16 não foi o primeiro videojogo de futebol a incluir atletas femininas. Em 2000, o estúdio Silicon Dreams fê-lo nos títulos Mia Hamm 64 Soccer e UEFA Dream Soccer, apesar de nenhum deles ter sido bem recebido pelo público e pela crítica.

Ainda não há informações sobre quais as ligas, equipas e jogadores masculinos que farão parte do FIFA 16. Mas uma coisa é certa: como as seleções nacionais femininas apenas podem competir entre si, não vai ser possível adicionar mulheres à FIFA Ultimate Team.