Como é o futuro da aviação? Fomos tentar descobrir ao TAP Creative Launch


futuro da aviação TAP Creative Launch
 
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No ano em que completa 70 anos, a TAP aventurou-se à procura de ideias que vão escrever o futuro. Nesse sentido, juntou-se à Startup Lisboa e lançou, em Janeiro, o TAP Creative Launch, um intenso desafio aos empreendedores que durou quase seis meses e que culminou esta quarta-feira com o anúncio da ideia vencedora.

Numa cerimónia conduzida pelo jornalista Pedro Pinto, no auditório da FIL, em Lisboa, os 10 finalistas – apurados entre mais de 750 candidaturas – fizeram o pitch decisivo perante um júri constituído por elementos da TAP, da Startup Lisboa e de parceiros. “Os projectos que chegaram ao final estão claramente de parabéns”, realçou Pedro Pinto para acalmar o nervosismo que a sala não conseguia esconder, por mais que tentasse.

A Waynabox, um projecto que nasceu em Barcelona pela mão de Pau Moreno, de 23 anos, foi a ideia escolhida pelo júri. A Waynabox vai receber um prémio de 10 mil euros da TAP e da ANA Aeroportos, uma viagem em classe económica para duas pessoas, 3 meses de incubação na Startup Lisboa e telemóveis Microsoft Lumia, entre outros.

Os restantes 9 finalistas não saíram de mãos a abanar. A Bactera, a Business In The Air, a Flybox, a Aerogel, a Lisbon Tea Co, a Pass Tag, a Easy Airport, a Tic Tac Tickets, a Virtual Phobia e a Waynabox vão ter oportunidade de visitar o novo campus para start-ups que a Google vai inaugurar no final deste mês em Madrid, bem como de reunir com a TAP para, em conjunto com a companhia aérea, encontrarem sinergias e formas de colocar as novas ideias em prática.

Waynabox: viagens com destino surpresa

A Waynabox oferece uma plataforma online através da qual o utilizador pode comprar viagens de destino surpresa, de uma lista de 12 possibilidades. Por um preço fixo (150 euros), o viajante tem um hotel e um voo reservados, mas não sabe para onde até dois dias antes. A ideia é “converter uma viagem normal numa experiência inesquecível, numa aventura”, disse Pau Moreno no seu pitch.

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O negócio da Waynabox está assente nos lugares que ficam por ocupar nos voos. De acordo com os dados apresentados, em média, a lotação dos aviões da TAP é de 75%. A Waynabox quer ocupar os restantes 25%, negociando valores mais baixos. A Waynabox está a operar há 3 meses em Barcelona e em Madrid, cidades onde angariou mais de 1 200 clientes e onde conseguiu um investimento de 250 mil euros. Agora, os olhos da Waynabox estão na TAP e Pau Moreno parece empenhado nisso. “É uma óptima oportunidade para crescer, crescer, crescer”, explicou em entrevista ao Shifter.

A Waynabox não tem nenhuma relação estreita com nenhuma companhia aérea e muitas vezes trabalha com intermediários. Pau não tem dúvidas: “a TAP é a primeira companhia aérea que não se preocupa só com o negócio. O TAP Creative Launch é a prova que a TAP também quer estar envolvida no desenvolvimento da ideia. Outras transportadoras apenas dizem que sim ou não”.

 

O produto que hoje a Waynabox vende foi afinado ao longo dos últimos meses, numa jornada necessária de falhanços e aprendizagens, que começou em Novembro do ano passado. Na verdade, estamos a falar de um negócio que não é fácil de comunicar, nem de operacionalizar. Podem ser muitas as inseguranças e dúvidas que o consumidor pode levantar durante o seu processo de compra, pelo que é dever da Waynabox explicar-lhe de forma clara os benefícios do produto que pode vir a adquirir, bem como dar-lhe garantias de fiabilidade e segurança.

Uma das preocupações da Waynabox reside nos hotéis que inclui nos pacotes. “Decidimos em que hotel o viajante vai ficar, pelo que é importante garantir que a qualidade do mesmo é suficiente para ele”, explica Pau. “Nesse sentido, só trabalhamos com hotéis que têm muito boas recomendações na internet. Verificamos cada hotel pessoalmente e procuramos que ele esteja perto do centro. Também nos preocupamos que o quarto tenha casa-de-banho e não seja partilhado com estranhos”, por exemplo.

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Lançado à margem do último Mobile World Congress, a Waynabox quer agora tentar um futuro com a TAP. O projecto tem as bases sólidas e, talvez por isso, foi a escolha do júri neste TAP Creative Launch. Um júri que se confessou indeciso na decisão final de escolher uma ideia entre as 10 apresentadas no auditório da FIL, prometendo todas o mesmo: contribuir para uma maior competitividade do tecido económico português e do sector aeronáutico, e para uma melhoria da actividade da TAP.

Os outros finalistas do TAP Creative Launch

Entre os restantes nove finalistas, encontrámos quase tudo: desde propostas mais científicas, ao nível da companhia aérea, a promessas mais focadas no consumidor final, isto é, no viajante. A Flybox e a Tic Tac Tickets também se concentraram no problema dos lugares não ocupados nos aviões TAP. As duas equipas propuseram vender uma percentagem dos bilhetes que não são vendidos, entre quatro a uma semanas antes do voo, a preços acessíveis.

A ideia é atrair a faixa etária jovem, que que não consegue viajar tanto quanto gostaria dado os preços elevados dos bilhetes e que opta por companhias low-cost. A diferença entre a Flybox e a Tic Tac Tickets é que a primeira defende um pacote de subscrição trimestral, que o viajante assina para ter acesso a viagens de última hora, baratas e ilimitadas, e a segunda propõe uma venda avulso.

A Business In The Air quer potencializar o tempo perdido durante as viagens, criando uma plataforma através da qual os “homens e mulheres de negócios” que partilhem um mesmo voo possam criar relações profissionais entre si. A Lisbon Tea Co, por seu lado, sugeriu vender chás de regiões portuguesas nos aviões TAP, considerando a transportadora a maior empresa de promoção de produtos nacionais.

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A Pass Tag mostrou uma nova forma de boarding pass: um boarding pass que não é um pedaço de papel que pode ser “perdido”, nem está num telemóvel que pode ficar sem bateria; é, sim, uma pulseira que colocamos no braço (problemas de privacidade?). E a Easy Airport propõe o mapeamento do interior dos aeroportos e a localização dos passageiros no edifício, algo útil quando está em falta um passageiro num voo para este descolar. Já a Virtual Phobia conceptualizou um tratamento da fobia de voar através da realidade virtual.

A Bactera e a Aerogel focaram-se ao nível da infra-estrutura da aeronave. A primeira proposta assenta numa nova forma de tratar os resíduos líquidos de um avião. A segunda idea consiste em utilizar um material chamado aerogel, um material de isolamento que é hidrofóbico, flexível e capaz de suportar temperaturas de -250 ºC a 350 ºC. A utilização do aerogel nos equipamentos voadores traria vantagens técnicas, financeiras e de segurança, face aos produtos usados actualmente: além de ser um material mais vantajoso em termos de segurança, permite poupar nos custos de manutenção, diminuir o número de intervenções e poupar no combustível.

A TAP destacou que o TAP Creative Launch, uma iniciativa inédita no país, foi “uma forma de ouvir os nossos clientes, porque muitos dos participantes são nossos passageiros e foi dentro dos nossos aviões que encontraram ideias que gostariam que a TAP concretizasse”.

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!