Equipa liderada por investigador português descobre galáxia super brilhante e baptiza-a de CR7


 
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Desde há muito que teóricos, físicos e astrónomos especulam acerca da existência de um primeira geração estelar, uma primeira família de estrelas nascida directamente do material primordial do universo. Esta problemática sempre foi de primeira ordem para os entendidos: a primeira geração de estrelas ter-se-ia formado aquando do Big Bang e representa uma peça fucral no entendimento da existência de vida.

Pois bem, parece que a velha teoria conheceu, pela primeira vez, as provas empíricas que a tornam uma verdade científica. A descoberta fez-se por terras lusas, sob a alçada de David Sobral, jovem barreirense de 29 anos e investigador no instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) e na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), e da sua equipa. O anúncio foi feito na passada quarta-feira e revelou os contornos da descoberta – foi encontrada a galáxia mais brilhante das que remontam aos primórdios do Universo e, ainda, descobertos indícios de que essa mesma galáxia contém estrelas de primeira geração.

David Sobral e a equipa optaram por utilizar um método diferente no seu estudo, investigaram áreas imensas do céu e conseguiram mapear o maior número de galáxias distantes que alguma vez se encontrou. Por norma os astrónomos e astrofísicos debruçam-se sobre pequenas áreas do Universo e estudam-nas profundamente, um método em tudo diferente do utilizado neste caso. A nova abordagem permitiu assim à equipa descobrir a CR7. O nome da galáxia surge como abreviatura à nomenclatura Cosmos e Resshift7, é também uma homenagem ao português, também ele “galáctico”, Cristiano Ronaldo.

Sobral contou ao P3 que “normalmente, essas galáxias tão distantes que são necessárias horas e horas até se começar a ver alguma coisa. E depois muito tratamento de dados. No caso da CR7 foram literalmente 15 minutos sem qualquer tratamento de dados até conseguirmos ver claramente a assinatura. É tão brilhante que mesmo estando a quase 13.000 milhões de anos-luz parece estar muito mais perto”.

Num primeiro momento, David e a equipa não se aperceberam da importância da descoberta. Apenas mais tarde verificaram a dimensão do achado: as estrelas da CR7 seriam assim estrelas de primeira geração; após confirmarem que não existiam indicadores da presença quer de azoto, carbono ou hidrogénio. As estrelas que encontraram eram ainda estrelas de População III – os corpos celestes que originaram os primeiros elementos químicos pesados – foram esses elementos que permitiram a vida e, a nossa própria existência. O líder da investigação explicou ainda que “esta é a primeira vez que se viu uma coisa feita com material do Big Bang, sem elementos pesados”.

A equipa irá continuar a braços com a investigação. As observações vão continuar a ser feitas com os telescópios chilenos VLT e ALMA e ainda através do telescópio espacial americano, Hubble. Agora David Sobral e Sérgio Ramos, os dois portugueses que fazem parte da equipa, esperam conseguir “observar a galáxia ainda com mais detalhe”. Sobral diz que “a outra linha de investigação, que pode dar grandes resultados, é perceber a diversidade de todas as outras galáxias semelhantes à CR7. E puxar mais os limites e olhar ainda mais para trás no tempo.”

O artigo científico que dá conta da descoberta já está concluído, tem um extenso título (Fortes Evidências de Populações Estelares de Tipo III Nos Emissores Lyman-alfa Mais Luminosos Na Época da Re-ionização: Confirmação Espectroscópica) e, foi publicado na revista The Astrophysical Journal.

 

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