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Vamos imaginar que somos cidadãos do Reino Unido. Gostamos de chá e biscoitos, muitos de nós respeitam uma velhota de cabelo grisalho que não é nossa avó e temos um sotaque quase tão invejável como o do Sean Connery.

Fruto de um azar qualquer, vemo-nos no meio de um acidente grave – afinal conduzir à esquerda sempre faz uma confusão dos diabos – e a nossa vida depende de uma transfusão urgente de sangue. Chegamos ao hospital e não há sangue para nos manter vivos. O choque é grande mas não há muito que se possa fazer quando as reservas de sangue escasseiam.

É para evitar que haja este tipo de situações e para impedir que os números da doação de sangue continuem a descer – na última década houve uma redução de 40% de doadores no RU – que a NHS Blood and Transplant criou uma campanha de consciencialização chamada #MissingType.

Durante a National Blood Week, as letras A, O e B têm sido retiradas de nomes de ruas, placas e de nomes de publicações, pretendendo mostrar à população que se continuarem a falhar aos seus compatriotas na doação de sangue, aquelas três letras vão desaparecer do seu país. Para sempre.

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Independentemente de ser uma boa campanha de marketing e PR, que gera buzz à volta de um assunto importante e que acaba por ter impacto ao mexer na realidade de dezenas de milhares de pessoas, é um pouco ambíguo se é relevante para o objectivo final – a doação de sangue. Será que é por faltarem letras na placa de Downing Street que os britânicos irão a correr para o banco de sangue para fazer uma doação?Sinceramente espero que a cidadania britânica prove que eu estou errado e que a campanha teve um sucesso brutal.

Afinal, doar sangue é importante para manter um país vivo. Tanto ou mais quanto votar ou fazer bebés.