O Japão está a construir enormes centrais fotovoltaicas sobre água


Aproveitar a energia proveniente do Sol e canalizá-la de acordo com a nossa actividade energética, não é de todo uma novidade. No contexto actual, urge cada vez mais a necessidade de explorar fontes de energia “verdes” e, embora a energia fotovoltaica seja sem dúvida uma resposta ecológica levanta, ainda assim, algumas questões: grandes áreas de terra, muitas vezes necessárias para outras actividades, são convertidas em imensos campos de exploração da luz natural.

Em Hyogo, no Japão, foi construída uma central fotovoltaica flutuante. Tendo em consideração a premissa anterior, acerca do uso de enormes áreas de terra, que a inviabilizam para outras actividades, os japoneses encontraram uma alternativa viável. A inovação consiste no facto de, ao invés de cobrir uma extensa área de terra, a estação se encontrar à superfície de um enorme reservatório de água. Prevê-se que a nova estrutura fotovoltaica alimente energeticamente 820 famílias – produz cerca de 2.680 MW/h por ano.

A recente instalação, concluída no final de Maio e operacionalizada este mês, mede 333 x 77 metros e espera-se ser a terceira de muitas (as primeiras duas foram construídas no início deste ano e são mais pequenas que esta última). A ideia passa por viabilizar estruturas semelhantes em distintas áreas do Japão, muitas delas onde não existe terra disponível para montar painéis fotovoltaicos tradicionais. O plano é ambicioso: pretende-se que até 2030 o Japão consiga duplicar a quantidade de fontes de energia renováveis.

A Kansai Electric Power, em Osaka, vai mediar a energia e fazê-la chegar às casas dos consumidores. O acordo já foi celebrado e a empresa comprou a energia da estação por 780 mil dólares por ano.

As vantagens destas estruturam não se resumem à rentabilização de espaço. A água arrefece o sistema o que aumenta em muito a eficiência dos painéis, quando comparados com os painéis em terra. As estações fotovoltaicas flutuantes permitem também diminuir a evaporação e o crescimento não controlado de algas, que são dois dos principais problemas encontrados em reservatórios.