O Google+ morreu, mas está a ressuscitar


 
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Quando lançado em 2011, o Google+ tinha três pilares: um stream com conteúdo de perfis e páginas; uma plataforma para guardar, organizar e editar fotos; e um serviço de mensagens privada e videochamadas de grupo. Quatro anos depois, a plataforma de fotos é um produto independente chamado Google Photos e o serviço de mensagens existe também em separado como Google Hangouts.

Do Google+ original, resta apenas o stream, onde, para além de posts de perfis e páginas, aparece conteúdo das Comunidades e das Colecções.

Na prática, o Google+ morreu e a sentença de morte foi lida sorrateiramente na última quinta-feira, na conferência Google I/O, aquando da apresentação do Google Photos. Foi nesse dia que o Google+ Photos deixou cair o “+” e emancipou-se, com uma casa própria na web e no mobile. Ter as fotos fora do Google+ faz todo o sentido. Por um lado, não queremos as nossas fotos pessoais e privadas guardadas numa rede social. É estranho, é non-sense. Por outro, quantos de nós sabíamos que podíamos armazenar, organizar e editar as nossas fotos no Google gratuita e ilimitadamente?

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Sem o Hangouts e agora sem o Photos, o Google+ está a tentar renascer em torno do stream. Não se sabe se a rede social vai ser convertida em Google Streams em algum ponto no futuro, mas é mais que certo o destino do produto: o Google+ já não quer tentar ser um “Facebook”, agora está a tentar tornar-se num “Pinterest”.

No fundo, o Google+ é agora uma rede social de interesses, onde podemos discutir os assuntos de que gostamos em Comunidades e agrupar posts tematicamente em Colecções, para além de seguir pessoas com interesses em comum connosco e páginas que partilham conteúdo que nos é relevante. “Se eu gosto de astronomia e quero conhecer outras pessoas que também estão interessadas em astronomia, encontro no Google+ uma boa solução”, disse Bradley Horowitz numa entrevista ao blog Backchannel.

Bradley Horowitz é hoje o dono do Google+ (ou Google Plus). Aliás, é o dono também do Google Photos e de todas as funcionalidades de partilha da Google. Curiosamente, o nome cargo que Horowitz ocupa agora – em bom rigor, “Vice-Presidente do Streams, Photos e Sharing” – não tem a palavra “plus”, nem o sinal “+”.

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Horowitz foi um dos fundadores do Google+ em 2011, quando a rede social foi lançada para compensar o histórico desprezo da empresa pelo factor “pessoas”, numa tentativa de fazer frente ao Facebook e de melhorar as relações entre “pessoas”/utilizadores e a partilha dentro do ecossistema Google. No entanto, só no início deste ano é que Horowitz assumiu os comandos do Google+ depois da saída do anterior “patrão” e outro co-fundador, Vic Gundotra.

“Temos removido algumas coisas que devem ser produtos independentes, como as fotos, e eliminado outras que achamos que não estão a funcionar”, explicou Horowitz. “Posso dizer que vão ver uma grande mudança no Plus. É uma mudança em resposta ao que os utilizadores nos estão a dizer.”

O “+” está a ser discretamente apagado da net. Na homepage e nos restantes serviços, já não encontras um “+” no lado esquerdo do teu nome. E o menu de notificações agora diz “Google notifications” e não “Google+ notifications”.

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O Google+ foi importante para a Google. Serviu para a empresa experimentar, falhar e aprender com os erros. E serviu também para dar um nome e cara aos seus utilizadores. Com um perfil no Google+ criado, eles ficam uma identidade única e transversal, que pode ser utilizada em todos os produtos, como o Gmail, o Maps, o YouTube ou o Search. “A Google de há 10 anos era muito separada, sem um sistema de identidade e partilha bem feito. Penso que o Google+ foi bem sucedido em unificar a experiência para os utilizadores”, notou Horowitz.

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