Silk Road deixa o seu criador a caminho da prisão perpétua


A vida do crime não é para todos. O fundador do maior mercado negro online, um website chamado Silk Road, foi condenado, sexta-feira dia 26, a prisão perpétua em Nova Iorque. O julgamento começou em janeiro e foi dito em tribunal que o site gerou para cima de mil milhões em receitas, de onde lucrou cerca de oitenta milhões.

Ross Ulbricht, de 31 anos, não era de todo o que esperamos num kingpin. Não tinha camisa havaiana, nem fio de ouro, nem um punhado de armas de fogo prestes a disparar. No entanto, foi o inventor de uma das maiores inovações do mundo do crime: levar o negócio para a deep web, onde se patrulha pouco e se apanha ainda menos.

Um antigo escuteiro, que ganhou uma bolsa de mérito e trabalhou como investigador no núcleo de nanotecnologia na Universidade do Texas, assumiu o username de Dread Pirate Roberts e começou a gerir o Silk Road. A condenação à prisão perpétua chocou a sua família, que está a tentar impedir o avanço da lei através da plataforma freeross.org.

Tal como Ross, que continua a tentar livrar-se da pena. Afinal, já escreveu uma carta à procuradora onde pede uma redução da sua pena, justificando-se com a sua ingenuidade e a tentativa de fazer uma experiência social e económica única.

Apesar do pedido de clemência, Ross assume as culpas. Quando a Forbes o tentou entrevistar em 2013, sabia perfeitamente os riscos que corria. Colocou completamente de parte um encontro em pessoa, rejeitava facebook e skype. Para ser entrevistado foi preciso entrar no site que dá acesso à deep webTOR, um browser que encripta os dados de quem lá navega – e conversar com ele através do serviço de mensagens do Silk Road.

Avisou o jornalista que as maiores entidades governamentais estavam à sua procura. E tinha razão. O seu portal de vendas online ganhou o título de bazar de drogas e era utilizado para a venda de qualquer tipo de substâncias, compra de passaportes e outros documentos, armas de todos os calibres e ainda para encomendar assassinatos. E garantia o anonimato de todos os que o utilizavam.

De todos, excepto dele mesmo. Quando foi preso numa biblioteca de São Francisco onde acedia à deep web com uma conta de email pessoal, a polícia descobriu que ele própria tinha encomendado quatro assassinatos através da sua plataforma. E se calhar o serviço que prestava ao cliente era mesmo de grande qualidade, porque nenhum desses quatro corpos foi encontrado, apenas registos do seu desaparecimento.

O seu perfil de LinkedIn continua activo e foi através dele que conseguiram colocar os pontos nos i’s no que toca à sua captura e prisão.