O novo Thunderbolt é um super, poderoso e veloz cabo USB-C


thunderbolt cabo USB-C

A lógica de “um cabo que faz tudo” é definitivamente o futuro dos gadgets e a norma USB Type-C (ou USB-C) veio mesmo para ficar. Pelo menos a avaliar com aquilo que a Intel revelou esta semana: um novo cabo – chamado Thunderbolt 3 – que adopta a tecnologia USB-C e que a eleva para um outro nível.

Com a Apple e a Google a adoptarem o novo cabo USB-C nos seus computadores este ano, o destino da rápida mas pouco popular norma Thunderbolt ficou indefinido. Foi em 2011 que, em co-parceria com a Apple, a Intel apresentou o Thunderbolt, propondo velocidades de transferência de dados mais rápidas entre dois dispositivos. Falávamos, na altura, de 10 Gbps, que constratavam com os 480 Mbps do USB 2.0. No entanto, enquanto que todos os computadores apresentavam portas USB 2.0, poucos tinham uma porta Thunderbolt.

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Nem mesmo a adopção comercial do Thunderbolt em Macs (ao lado do USB) ajudou à massificação da tecnologia, até porque há um outro factor a ter em conta: o acesso a cabos USB 2.0 por oposição ao acesso de cabos Thunderbolt – e não estamos a falar só de disponibilidade (em lojas, no escritório…), mas do preço (50 euros).

Entretanto, a tecnologia UBS foi sendo aperfeiçoada, com a versão 3.0 (2008) a promoter velocidades de transferência de 5 Gbps e o USB 3.1 (2013) de 10 Gbps. Também o Thunderbolt ficou melhor: a 2ª geração [imagem em baixo] duplicou a velocidade da 1ª para 20 Gbps (2013), mas o problema da fraca massificação persistiu.

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Este ano, a Intel percebeu que, se não consegue derrotar os adversários, tem de se juntar a eles. E é por isso que o Thunderbolt 3 usa a norma USB-C. A Intel percebeu que não valia a pena insistir em criar um outro cabo e uma outra porta, quando o mercado não as queria. Na prática, o Thunderbolt 3 é um super cabo USB-C, que promete velocidades de transferência de 40 Gbps. Sim, 40 Gbps! Significa isso que se ligares dois computadores por este cabo e transferires um ficheiro de 5 GB (gigabytes) de um para o outro, o processo só vai demorar 1 segundo (5 gigabytes = 40 gigabits).

Aquilo que a tecnologia USB-C permite é para nos deixar de boca aberta: um único cabo permite transferir ficheiros, carregar equipamentos e transmitir sinal para um monitor externo. E é um único cabo que é mais ou menos um terço do tamanho do USB a que estamos habituados. É um cabo reversível, pelo que, por exemplo, um computador pode carregar outros gadgets ou seu carregado por eles.

Tal como nos anos 90 a introdução do USB removeu algumas portas dos computadores da altura (como portas serial e portas paralelas), agora o USB-C promete continuar essa revolução, substituindo a entrada para energia, ficheiros e vídeo por uma porta única.

Mas nada é assim tão simples: as funcionalidades de um cabo USB-C estão dependentes das entradas ao qual ele é ligado. Por exemplo, a porta USB-C do tablet Nokia N1 permite a mesma velocidade de uma porta USB 2.0, enquanto que a porta USB-C do novo MacBook de 12 polegadas ou do último Chromebook Pixel já oferece transferência de dados a 5 Gbps. Isto é, lá por um equipamento ter um pequeno orifício USB-C no fim, não significa que podes usá-lo para carregar o dispositivo ou transferir dados a alta velocidade.

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Assim, porque o Thunderbolt 3 usa a norma USB-C, podes usá-lo num computador com uma porta USB-C, mas esquece os 40 Gbps. Esses só vais encontrar se a porta USB-C estiver preparada para a tecnologia do Thunderbolt 3, isto é, se estiver identificada pelo símbolo do Thunderbolt (um pequeno raio). Assim, se ligares um cabo Thunderbolt 3 a um MacBook ou a um Chromebook Pixel, a velocidade máxima será 5 Gbps.

O Thunderbolt 3 suporta DisplayPort, HDMI, USB e VGA; e pode seu usado também para transferir até 100 watts de energia. O cabo permite também ligar um computador a um máximo de dois monitores 4K a 60 Hz.

Os primeiros cabos Thunderbolt 3 vão começar a chegar ao mercado em 2016, com comprimentos até 60 metros, de acordo com a Intel. A fabricante refere ainda que mais de 30 computadores preparados para a tecnologia vão chegar este ano.