Afinal, o que é que vale a pena neste NOS Alive?


O NOS Alive afirmou-se, já há alguns anos, como um dos festivais de referência, não só no panorama festivaleiro nacional, como também fora de portas. A razão é simples: Consistência. Em quantidade e qualidade. Todos os anos as confirmações faziam-nos sorrir e salivar de expectativa, fosse no palco principal ou nos secundários. Nada era deixado ao acaso. Havia sempre alguém que nos obrigava a gastar dinheiro no bilhete com um sorriso na cara, mesmo que a conta estivesse quase a zeros.

Não é preciso recuarmos muito para nos lembrarmos que nomes como Rage Against The Machine, Kings of Leon, Bob Dylan, Alice in Chains, Radiohead, Foo Fighters, Arctic Monkeys, Coldplay, Justice, Stone Roses, Smashing Pumpkins, Libertines ou The Cure já fizeram parte do certame. E estamos a falar apenas do palco NOS (Optimus até 2013). Pelos restantes houve Foals, SBTRKT, Jamie xx, Thievery Corporation, Vampire Weekend, Twin Shadow, Crystal Fighters, Digitalism, TV On The Radio entre muitos outros.

Contudo, este ano, o NOS Alive parece ter seguido uma direcção diferente. Com o fenómeno dos festivais cada vez mais acentuado em Portugal, a crescente afluência de público parece traduzir um novo fenómeno. Aquele em que a música passa para segundo plano e o ambiente sim, conta. E não, este não é o cartaz mais fraco que vimos do Alive mas, quando a lista de nomes fechou, houve certamente aquela saudade do que vimos e ouvimos outros anos.

Agora tu, que estás a ler este artigo com o passe de três dias na mão, estás a ficar assustado. Não vale a pena. Ainda que houvesse margem para apresentar alguma coisa melhor, existem, este ano, os tais nomes que te fazem rir e falir num ápice. E o Shifter, claro, mostra-tos para que não percas o (pouco) que vale a pena nesta 9ª edição do festival de Oeiras.

Disclosure

Os irmãos Lawrence estão de volta a Portugal depois da (grande) actuação do ano passado no SBSR. Settle foi o disco de estreia que os catapultou para o centro da cena House/Garage, mas já lá vai. Carcal, o novo disco, chega a 25 de Setembro deste ano e já tem “Bang That” e “Holding On” como cartão de visita. Promete!

Metronomy

Teclas, algodão doce e nuvens cor-de-rosa. Podia ser este o resumo dos Metronomy mas isso não lhes faria justiça. Os britânicos regressam aos palcos portugueses (depois de, à semelhança dos Disclosure, terem actuado no SBSR) e prometem pôr-nos a mexer o pé com “The Look”, “Love Letters”, “The Bay” ou “I’m Aquarius”.

Chromeo

Este é daqueles nomes que pode não nos fazer acender a luz por cima da cabeça à primeira, mas tem uma componente demasiado viciante para passar ao lado. P-Thugg e Dave 1 são mestres nas teclas, sintetizadores, guitarras e talk-box, prova disso são músicas como “Come Alive” (com Toro Y Moi), “Jealous” ou “When The Night Falls”.

Fight Facilities

Seguindo a vibe, também os Flight Facilities são obrigatórios. Directamente da Austrália e oriundos do movimento future classic, os F.F vêm a Portugal pela primeira vez apresentar, no palco Heineken, o seu disco de estreia Down To Earth. Entre os singles estão “Crave You”, “Foreign Language”, “Claire De Lune” ou, mais recentemente, “Stand Still”.

Future Islands

Do disco para o synthpop, os Future Islands também estão no alinhamento essencial para um festival que vale o dinheiro. Baltimore não nos deu só boa televisão com a série The Wire, é também a casa dos norte americanos que visitam Portugal pela segunda vez. Para ouvir: “Seasons”, “A Dream Of You And Me”, “Haunted By You” ou “One Day”.

Django Django

Os britânicos sobem ao palco Heineken a 9 de Julho e trazem Born Under Saturn para mostrar ao público português. O último álbum da banda londrina já conta com cinco singles lançados, são eles “First Light”, “Reflections”, “Begining To Fade”, “Shake And Tremble” e “First Light”.

The Jesus And Mary Chain

The Jesus And Mary Chain também cá estão. Os irmãos Reid trazem clássicos na mala e prometem entusiasmar miúdos e graúdos com “Just Like Honey”, “Sometimes Always”, “Happy When It Rains” ou “Never Understand”.

Mogwai

Continuando por terras de William Wallace, os Mogwai fazem vinte anos e passam por cá, no dia 11 de Julho, para celebrar o feito. A banda escocesa sobe ao palco Heineken e traz Rave Tapes, o último álbum de originais, editado em 2014. Deste longo percurso, destacam-se “Take Me Somewhere Nice”, “Teenage Exorcists”, “Remurdered” ou “How To Be A Werewolf”.

Flume

Da Escócia de volta à Austrália, Flume é o nome que se segue. A electrónica experimental do miúdo de 23 anos já há muito derreteu os ouvidos dos mais atentos e, por isso, Flume é uma confirmação certeira por parte da organização. Dos remixes aos singles, podemos ouvi-lo associado a nomes como Lorde, Chet Faker ou Disclosure. Para ouvir: “Holdin’ On”, “Some Minds”, “You And Me”, “Tennis Court”, “Sleepless” ou “Drop The Game”.

James Blake

nome dispensa apresentações porque a sonoridade fala por si. Electrónica, post-dubstep, soul, r&b, a lista estende-se sobre uma intrincada teia de recortes sonoros e vozes que nos arrepiam e fazem tremer o corpo. Blake é dos nomes que mais agrada ao público português e, por isso, é presença garantida no festival. Com dois álbuns no repertório, seis EP’s e uma mão cheia de colaborações, são músicas como “Limit To Your Love”, “Retrograde”, “Wilhelm Scream”, “Fall Creek Boys Choir” ou “CMYK” que nos fazem voltar para mais.

Jessie Ware

Conterrânea de Blake, Jessie Ware também já está confirmada no palco Heineken, dia 9 de Julho. A britânica que surgiu como colaboradora habitual dos Disclosure, na fase inicial do duo, e mesmo posteriormente, ganhou nome para si própria através da voz inconfundível e da sonoridade suave e lançou-se no mercado com Devotion em 2012. “Wildest Moments”, “Valentine”, “Say You Love Me” ou “Champagne Kisses” são nomes a ouvir.

Sleaford Mods

Mais a norte, em Nottingham, o post-punk dos Sleaford Mods vai integrar o certame do NOS Alive com a energia que lhes é característica. O duo conta com sete álbuns editados e um outro, Key Markets, o oitavo, para sair a 10 de Julho. Assim, os Sleaford Mods são o nome ideal para espalhar guitarradas a abrir e baterias de partir o palco secundário. “Job Seeker”, “Middle Man”, “Jolly F_cker” e “Tied Up In Nottz” devem ser ouvidas.

Róisín Murphy

Quem se lembra de “Sing It Back” ou de “The Time Is Now”, míticos sons dos Moloko, sabe quem é Róisín Murphy. A irlandesa está a solo desde 2005 mas nem por isso a qualidade desapareceu. Róisín mantém o estilo que sempre a identificou, irreverente, mexido e muito visual. Aos 42 anos volta a Portugal para apresentar Hairless Toys, o mais recente disco, no palco Heineken a 10 de Julho. Dos clássicos destacam-se “Overpowered”, “Let Me Know, ou “You Know Me Better”.

Julio Bashmore

Um dos maiores nomes do UK House e dotado de skills de produção incríveis, Julio Bashmore já anda pelo circuito internacional desde 2009 mas, por cá, não é dos nomes que mais ecoa nos ouvidos. Isso é até o ouvirmos no palco Clubbing dia 9 e ficarmos de queixo caído e pernas a tremer (não, isso não só do cansaço). Depois das passagens pelo NeoPop em 2012 e NOS Primavera Sound em 2013, Bashmore está de volta para combater o sono e mostrar o que é ser um dj/produtor a sério.

Batida, Moullinex e mais

Por último, e porque o que é nacional é bom, há Batida para todos. Para quem conhece e sabe do que é capaz o produtor de rádio, vídeo e música, Pedro Coquenão, isto são boas notícias. Para quem não conhece, Batida é isso mesmo. Muito ritmo, misturas, culturas, calor e simplicidade. O concerto acontece também no palco Clubbing e segue-se, à 01h55, pelo português Moullinex.

Se estes dois te aguçaram o apetite, é bom que estejas preparado para os outros nomes portugueses que por lá podes ver. O palco Raw Coreto vai servir de montra a muitos deles como os Cave Story, Basset Hounds, Tape Junk, Los Waves ou Nice Weather For Ducks. Dos que lá não estão, os X-Wife ou os HMB também te fazem valer o dinheiro, portanto fica atento.