Brigade, a rede social que quer mudar a nossa relação com a política


Depois de ajudar Mark Zuckerberg a construir a maior rede social do mundo, Sean Parker inventou o Brigade. Esta é uma rede social que o bilionário de Silicon Valley já tinha anunciado e, agora, finalmente lançou-a. Trata-se de uma plataforma direccionada para a política, que pretende promover e fortalecer a democracia.

O Brigade foi pensado por Sean Parker para colmatar uma falha: o empresário quer ajudar os americanos a relacionarem-se mais com a vida política. Para isso, Parker acha que a internet – as redes sociais em particular – pode ser uma ferramenta essencial como motor da discussão política.

Em Portugal, páginas de Facebook de políticos como Pedro Passos Coelho (129 mil), Paulo Portas (49 mil), António Costa (não tem) ou Cavaco Silva (186 mil) não apresentam tantos likes como apresentadores de televisão ou figuras públicas no geral. O alcance da sua comunicação é, por isso, muitas vezes limitada e só amplificada quando citada nos principais noticiários das televisões.

Será que Sean Parker vai conseguir reformular a maneira como o público em geral se relaciona com a política?

Para já, o Brigade parece estar a resultar: dia 4 de Julho, Sean Parker celebrou um milhão de opiniões partilhadas nesta rede social cívica. Estes número podem não parecer muito quando comparados com os mil milhões do Facebook, mas é um início ambicioso para a plataforma. Ao BuzzFeedNews, o CEO do Brigade, Matt Mahan, refere que “quando se fala com a maior parte das pessoas e se lhe dizem que estamos a construir um produto para reparar a nossa democracia, a primeira reação que têm é: ‘Oh, política. Odeio política'”.

Esta frase diz muito de um sentimento generalizada em quase todas as sociedades e povos onde à política já não lhe é reconhecida a importância e esperança devida. A complexidade dos problemas globais só trouxe desinteresse, com os indivíduos a ficarem insignificantes perante uma realidade macro que não conseguem mudar.

Todos sabemos como, na maior parte das vezes, escrever sobre política ou partilhar uma notícia no Facebook, promovendo a discussão e partilha de ideias, é uma via rápida para o insulto e desrespeito mútua. A produtividade é sempre muito reduzida ou inexistente.

Contudo, a premissa do Brigade é que esta dinâmica pode ser diferente: uma rede social que consiga criar um debate genuíno e com valor intrínseco, que se foque em assuntos que têm interesse para os eleitores. “As pessoas querem saber da política se esta estiver à sua porta, isto é, se afectar as suas vidas”, explica o CEO.

Os perfis – com identidade real – são criados com base nas opções políticas de cada um em diversos temas, o que forma uma base de dados de votantes considerável, capaz de tornar o Brigade num clube de debate como antigamente eram os cafés.

Para estares na app, disponível para iOS e Android, tens de ser convidado por outro utilizador. O roxo é a cor dominante com o mapa eleitoral norte-americano e o ecrã principal um feed de assuntos com os quais os utilizadores do Brigade podem ou não concordar. Exemplo do que lá figura: “mulheres deveriam ser melhor pagas na licença de maternidade”. Há também os famosos trending topics para que se saiba quais são os assuntos quentes.

O BuzzFeedNews conta que uma versão prévia da app pedia aos utilizadores para concordarem ou não em 90 assuntos/posições. (surpreendentemente, metade dos 13 mil dos utilizadores estavam entre os 18 e os 24 anos, uma faixa etária que tendencialmente apresenta taxas de abstenção grande devido ao disfuncional sistema político).

Contudo, uma das vontade do Brigade continua a ser que a plataforma sirva mesmo para criar grupos com a mesma orientação política para que estes possam angariar fundos, organizar protestos, fazer lóbi na legislação ou até apoiar candidatos.

“Em certos contexto, se tu queres que a tua voz tenha impacto na democracia, esta tem de estar par a par com quem és enquanto cidadão e votante”, argumento o CEO.

Tal como o Facebook representa as nossas vidas sociais e o LinkedIn as nossas vidas profisisonais, o Brigade pretende representar a parte cívica da vida de uma pessoa. “Se nós tentarmos privatizar o nosso discurso político e escondê-lo, esse é o início do fim para a nossa democracia”, sustenta Mahan. “As pessoas têm uma opinião sobre como é que o mundo deveria ser e querem estar num cargo que os possibilite aperfeiçoar o mundo.”

Poderá esta app ganhar espaço no cenário tecnológico americano com as Presidenciais dos EUA aí à porta? Por cá, pode ser que Cavaco Silva se transfira para lá e páre de mandar comunicados no Facebook.