DocLisboa 2015 dedica retrospectiva ao “fenómeno do terrorismo”


Foi apresentada recentemente a programação da 13ª edição do Doclisboa – Festival Internacional de Cinema, que irá decorrer entre 22 de Outubro e 1 de Novembro. Na apresentação a direcção do festival, composta por Cíntia Gil, Davide Oberto e Tiago Afonso, revelou a estrutura da programação de 2015, bem como a imagem desta edição, os espaços onde decorrerá e os parceiros estruturais do festival.

A retrospectiva temática “I Don’t Throw Bombs, I Make Films – Terrorismo, Representação” não nasce apenas de uma urgência de actualidade, mas também de uma vontade de compreender a nossa contemporaneidade, no que toca a heranças ideológicas, dinâmicas de poder, determinações geopolíticas. Será apresentado um grande número de filmes, muitos deles inéditos em Portugal, que colocam o problema do Terrorismo antes de mais como um desafio às comunidades mas também ao cinema. Serão incluidos neste conjunto filmes realizados por membros de diferentes lutas armadas, que viram no cinema espaço de reflexão mas também de elaboração ideológica. A retrospectiva incluirá filmes elaborados por alguns elementos de lutas armadas, como Ulrike Meinhof ou Holger Meins, do Grupo Baader-Meinhof.

Será programado um foco na Grécia, procurando reflectir, através do cinema, não só sobre a história do país e a sua actualidade, mas também sobre a encruzilhada Europeia, num presente marcado pelo questionamento directo das relações de poder entre países e povos. Questões de cidadania, democracia e mudanças de paradigma, mas também de determinações geopolíticas próprias de um território fronteiriço e de uma política de fortaleza, serão problemas colocados num diálogo entre filmes contemporâneos e filmes históricos.

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Želimir Žilnik estará em Lisboa para apresentar uma retrospectiva inteiramente dedicada ao seu trabalho, em parceria com a Cinemateca Portuguesa. Žilnik foi uma das figuras preponderantes da chamada Vaga Negra do cinema jugoslavo, caracterizada por uma abordagem não-tradicional à produção cinematográfica e por uma análise crítica à sociedade jugoslava de então. A sua obra é transversal aos últimos 50 anos da história e ao espaço que outrora foi a Jugoslávia, atravessando não só as suas mutações políticas, sociais e territoriais, mas interrogando também os princípios identitários e territoriais da Europa.

A direcção anunciou também mudanças profundas na estrutura das competições do Doclisboa. As competições internacional e portuguesa deixarão de fazer separação entre curtas e longas-metragens, numa afirmação de um cinema irredutível à classificação de formatos e géneros. Esta decisão nasce também da inventividade e interesse crescentes que os filmes de media metragem têm revelado.

Nesta edição, as secções competitivas serão assim a Competição Portuguesa e a Competição Internacional, continuando a Competição Primeira Obra a ser transversal a varias secções do festival.

Finalmente, foram anunciadas alterações na linha editorial da secção Riscos, comissariada por Augusto M. Seabra, que assumirá ainda mais as suas principais linhas de força: apresentação de filmes que se enquadram no dominio das “ficções do real”, apresentação de materiais fundamentais da história do cinema, e um autor em foco em cada edição – este ano Robert Gardner, autor fundamental da história do cinema documental na sua relação com a Antropologia, desaparecido em 2014. Este programa será apresentado em colaboração com o Harvard Film Archive.

As outras secções paralelas do festival mantém-se – além dos Riscos, de novo Heart Beat, Cinema de Urgência, Verdes Anos, Passagens e a secção Doc Alliance, apresentada pela primeira vez na edição de 2013.

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O Doclisboa 2015 contará também com a primeira edição de Arché, um projecto direccionado para o público profissional, que procura desenvolver-se como um espaço de reflexão e desenvolvimento de projectos cinematográficos, a partir de uma afirmação do processo autoral e da singularidade de cada filme.

O projecto será composto por uma oficina de escrita e desenvolvimento de projecto e por uma oficina de visionamento e discussão de projectos em curso. Além disso, masterclasses e encontros individuais com convidados. O país convidado em 2015, a par com os projectos portugueses, será a Espanha. A participação será gratuita.

O festival estará presente na Culturgest, Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa/Museu do Cinema, Cinema Ideal e no Cinema City Campo Pequeno.

Sabe mais sobre o Doclisboa 2015 aqui.

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