Economia de partilha no centro dos debates políticos e eleitorais (para já nos EUA)


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No seu primeiro discurso de candidata democrata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton colocou a tónica na economia e a páginas tantas zurziu a sharing economy. A América foi abaixo com gritaria dupla, dos tecnologistas e dos republicanos.

É totalmente legítima a preocupação com os efeitos perniciosos das aplicações comerciais da economia da partilha (convém distinguir das aplicações “puras“, sem fins de exploração do trabalho): trabalhadores ainda mais enfraquecidos social e economicamente, concentração de valor e contributo zero para os problemas levantados pela automação, e seus efeitos na relação entre trabalho, capital e Estado (sem impostos não há relação).

É também totalmente legítimo o conceito de que lutar “contra” a economia da partilha é lutar contra a evolução — o que a torna numa luta perdida à partida. Há revoluções que não se podem travar sem pesadíssimas consequências negativas para as sociedades — e esta é uma delas.

Mas essa já não é a questão essencial. Agora a questão essencial é que a economia da partilha deixou o ambiente onde nasceu — a intersecção entre empresas tecnológicas, trabalhadores modernos e consumidores conectados — e está a chegar ao debate político.

Para já, é tema nas eleições presidenciais americanas. Alguns analistas republicanos já andavam a puxar pelo tema e o discurso de Clinton colocou-o definitivamente no centro dos holofotes. Enquanto parte importante — e, convenhamos, mediática — das mudanças económicas e sociais, a economia da partilha vai ser debatida com paixão nos próximos meses eleitorais.

Com toda a vantagem, devia impregnar o debate político europeu a curto prazo — e desde já o português. As aplicações da economia da partilha como a Uber não geram valor para a balança comercial nem para pagar os juros da dívida, ao contrário das pescas, mas já “empregam” mais portugueses do que as pescas.

Há uma gritante necessidade na política portuguesa: olharmos menos para ontem e dar mais atenção ao amanhã.

(texto: Paulo Querido/Hoje; foto: Flickr)

Aprofundar

Hillary Clinton Is Wrong on the Sharing Economy (Anji Ismaïl/Medium): Mrs. Clinton, you might not roll back or regulate the sharing economy to the extent that France has with Uber Pop. But stifling creativity, social evolution, and the new economy in any way is only going to make your country more like my country. And when it comes to the new world economy, that’s a bad thing.

Clinton’s sharing-economy remarks draw reaction in Silicon Valley (Sarah Mcbride / Reuters): “This ‘on demand,’ or so-called gig economy, is creating exciting opportunities and unleashing innovation, but it’s also raising hard questions about workplace protections and what a good job will look like in the future,” Clinton said in her first major economic speech as a Democratic candidate.

Hillary Clinton vs. the Uber economy (Rich Lowry/The Oregonion): Republicans would be foolish not to welcome a contrast with Hillary over some of the hottest companies in the world. The Bush campaign let it be known that Jeb will order an Uber ride in San Francisco during a campaign swing there. If he really wants to stick it to Hillary, he will find someone handy to do minor repair work at his Miami headquarters through TaskRabbit, or borrow a wrench during his next trip to Des Moines through NeighborGoods.

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