Sabes quando as embalagens NUNCA ficam vazias? Com este revestimento anti-aderente, esquece


 
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Podem estar a chegar ao fim os dias de teres as embalagens viradas de cabeça para baixo, tudo para tentar aproveitar o resto de produto que, teimosamente, se agarra às paredes, mesmo quando percutes a embalagem furiosamente. A solução chama-se LiquiGlide, um produto criado no MIT e cuja aplicação em produtos alimentares foi iniciada este mês.

O LiquiGlide foi desenvolvido em 2009 por dois engenheiros do MIT, Kripa Varanasi e David Smith. O produto é um revestimento que actua como uma barreira entre a superfície de um frasco, exemplo, e um líquido que esteja no seu interior. Ao ser colocado a revestir o frasco permite que todo o líquido deslize facilmente em direcção ao gargalo, impedindo os resíduos no fundo da embalagem.

Desde a sua criação, o projecto foi evoluindo até que, em 2012 os dois criadores fundaram, com a ajuda do MIT, a start-up para iniciarem a comercialização do produto.

Três anos depois, finalmente o LiquiGlide surge no mercado, aplicado à indústria alimentar. A empresa norueguesa de produtos alimentares Orkla assinou um acordo de licenciamento para poder utilizar o revestimento nos seus produtos de maionese vendidos na Escandinávia e noutros países da Europa.

O projecto iniciou-se quando Smith foi trabalhar na sua investigação de pós-graduação com a equipa de Varanasi. No início o foco do trabalho era outro: prevenir a acumulação de gelo nas superfícies dos aviões e de hidrato de metano nos oleodutos e gasodutos. Começaram por explorar superfícies superhidrofóbicas mas perceberam que estas não eliminavam todos os resíduos líquidos, já que, a nível microscópico, havia acumulação de partículas de água que a longo prazo diminuiam as capacidades hidrofóbicas do material.

Daí passaram a trabalhar em superfícies hemisólidas hemilíquidas que não possuiam espaços microscópicos onde se acumulavam as partículas liquídas. Com mais aperfeiçoamento nasceu o LiquiGlide, um revestimento sólido com um lubrificante liquido no seu interior, ambos unidos por forças intermoleculares que permitem ao mesmo tempo adesão a uma superfície sólida e repulsão de materiais líquidos.

A comercialização inicia-se no ramo alimentar mas as possibilidades estendem-se a muitas outras áreas. Quem o diz é Varanasi, um dos co-autores do produto: “os nossos revestimentos podem funcionar com toda uma miríade de produtos porque conseguimos adaptar e desenhar o produto de modo a corresponder as necessidades dos nossos clientes”.

Além de evitar o desperdício de bens alimentares, pode ser muito importante em reduzir os custos associados à reciclagem de embalagens que muitas vezes se encontram sujas de restos e que dificultam toda a operação.

Varanasi revela que o próximo passo do LiquiGlide é combater a acumulação de resíduos nos oleodutos. Estes são um dos principais factores que levam à degradação destas redes já que a corrosão e os detritos levam à redução do fluxo. Outras indústrias como a médica, a construção e a aviação civil. “Nós queremos estar em todo o lado.” remata Varanasi.

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!